Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 17/07/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos ‘’toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar”. Entretanto, esse direito vem sendo violado no Brasil, visto que o isolamento social necessário para conter o contágio pelo Novo Corona resultou no aumento do desemprego e na piora da saúde mental da população.

Em primeiro lugar, as estratégias de distanciamento social provocaram uma diminuição no consumo de bens e serviços de diversos setores. Como consequência, houve o fechamento de indústrias, comércios e interrupção das atividades de produção, o que aumentou consideravelmente as taxas de desemprego. Segundo dados levantados pelo IBGE, devido à desaceleração da economia houve uma ampliação no ritmo das demissões e queda nas contratações, o que resultou em uma taxa de desemprego superior a 12% no primeiro semestre de 2020, a maior desde 2012. Essa problemática atenta, pois, para o descumprimento do artigo 6º. da Constituição Federal de 1988, o qual determina que o trabalho é um direito social do cidadão. Logo, o isolamento social dificultou, ainda mais, a entrega do que é de direito dos cidadãos.

Aliado a isso, outro desafio relacionado à privação do convívio social é a manutenção da saúde mental. A quarentena forçou um grande número de brasileiros a mudar drasticamente de rotina e passar a maior parte do tempo em casa. Consoante a essa mudança, o pânico, a preocupação e a incerteza da situação pós-pandêmica contribuíram para a explosão de ocorrências de transtornos mentais. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o número de casos de depressão quase dobrou, enquanto os de ansiedade e estresse aumentaram 80% durante a pandemia do Covid-19. Logo, é evidente que o isolamento social tem consequências graves para o estado mental.

Portanto, ações são necessárias para superar os desafios da pandemia sem flexibilizar o distanciamento social. O Governo Federal deve continuar a fornecer auxílio financeiro às pessoas prejudicadas pela quarentena até que esse cenário seja revertido. Espera-se, com essa medida, prover recurso às famílias e atenuar os efeitos da crise econômica. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde disponibilizar, de maneira gratuita e remota, atendimento psicológico aos que necessitam, com vistas a conferir estabilidade emocional à população. Só assim, o direitos humanos serão mais respeitados em contextos de enfermidade global.