Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 04/08/2020
Em Metamorfose, livro do autor Kafka, o protagonista da história sofre de um mal abrupto que o incapacita de trabalhar e, assim, compor a renda familiar, que passa por desconsiderar o jovem pela sua falta de ajuda econômica. Fora do universo kafkiano, a realidade não se destoa do exporto, uma vez que o sistema capitalista quantifica o individuo pelo o que ele produz, sendo um desafio de cunho nacional quando deparado com a necessidade de isolamento social em prol da saúde em casos pandêmicos. Desse modo, o sistema vigente econômico revela sua faceta perversa e as consequências sociais, econômicas e educacional em tempos de reclusão social. Em primeira análise, o capitalismo resulta em um entrave para o isolamento social. Corrente econômico-social vencedora da Guerra fria, protagonizada pelo antagonismo do Socialismo e Capitalismo, essa ideologia resulta em produção de capital para, assim, adquirir poder aquisitivo e usufruir dos comércios de valores, o que gera uma barreira de quem pode ou não acessar certas camadas. Desse modo, a camada social menos provida de recursos e bens acumulativos tendem por necessidade trabalhar diariamente para manter socialmente aceito, resultando em uma barreira na liberdade de se manter em quarentena e, como consequência, ter seus recursos negados economicamente ou continuar em seus serviços e, assim, ter condições financeiras para sobreviver. Dessa forma, o isolamento social é um desafio para camada mais emergente, resultado de uma falta de auxílios e incentivos financeiros governamentais. Além de não apresentar direito de escolha quanto ao isolamento por parte de camadas mais vulneráveis socialmente, a falta de incentivos governamentais intensifica o abismo educacional no Brasil. Sendo um direito constitucional, a educação apresenta uma das premissas básicas sociais asseguradas, sendo transgredida quando a quarentena impede que alunos tenham acesso a sala de aula, aumentando a evasão escolar, sendo por falta de condições financeiras de não obter mecanismos de acesso a aulas EAD- ensino a distância- ou por falta de incentivo familiar pela baixa escolaridade dos membros que a compõe. Desse modo, torna-se um desafio o exercício quanto ao direito a educação para indivíduos que é assegurado pela Constituição de 1988. Portanto, medidas são necessárias para resolver as complicações intensificadas pela quarentena. A câmera dos deputados deve elaborar e votar para a criação de um fundo emergencial em escala nacional para poder lidar com demandas de famílias de baixa renda, contribuindo através de repasses financeiros que possam auxiliar e garantir ao indivíduo direito ao isolamento em épocas que a quarentena faz necessário. Ademais, o Ministério da Educação aliado ao Inpe deve elaborar um plano de ação que compreenda todas as demandas sociais quanto a educação, sendo através de habilitação de casas com equipamentos eletrônicos que possam acompanhar aulas a distância, assegurando seu direito vigente na Constituição.