Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 11/08/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o isolamento social no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto de desafios financeiros, quanto de fatores emocionais.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga é possível perceber que, no Brasil, os desafios financeiros rompe essa harmonia, haja vista que em situações de isolamento social, o comércio, em geral, permanece fechado e esse afastamento pode prejudicar, principalmente os trabalhadores informais. De acordo com o IBGE, a cerca de 38 milhões de trabalhadores informais que envolvem, por exemplo, os vendedores ambulantes, camelôs e feirantes. Essa é uma parcela da população que não possui fontes alternativas de trabalho e renda diante das restrições da quarentena. Consequentemente, eles ficam sem renda durante a quarentena, o que pode aumentar situações de fome, por exemplo.

Outrossim, destaca-se os fatores emocionais como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o isolamento pode representar o estado permanente de ansiedade. Isso, seja pela aproximação e um intensivo convívio das pessoas dentro de uma mesma casa, tornando as relações interpessoais tensas, ou pelo fato de indivíduos que moram sozinhos não ter nenhum tipo de contato com outras pessoas. Prova disso é a pesquisa da revista científica “The Lancet”, comprovando que cerca de 31% das pessoas que estiveram em quarentena, desenvolveram depressão depois do isolamento.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem á construção de um mundo melhor. Dessarte é importante que o Governo Arrecada alimentos, materiais de limpeza e valores em dinheiro para a parcela da população que não possui fontes alternativas de trabalho. Isso através da criação de uma campanha de arrecadação, que será divulgada pelos mecanismos midiáticos os, para prestar auxílio aos trabalhadores autônomos que terão a renda prejudicada durante o isolamento social.