Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 24/08/2020
No ano de 1918, cerca de 50 milhões de pessoas morreram decorrente ao que foi uma das maiores pandemias que já atingiu a humanidade, a Gripe Espanhola. Hodiernamente, o surto pandêmico do COVID-19 iniciado no final do ano de 2019, tem feito com que desafios sejam enfrentados no distanciamento social a fim de mitigar a propagação viral. Nesse sentido, cabe compreender de que forma a pobreza e a falta de compromisso da sociedade contribuem para a manutenção da problemática.
Em primeiro plano, é valido ressaltar a grande desigualdade social presente na população brasileira. Nesse ínterim, segundo dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE, cerca de 55 milhões de famílias vivem com uma renda mensal de apenas 400 reais ao mês. Sob tal ótica, é notório que muitos indivíduos não consigam se manter em quarentena, devido a necessidade de sair todos os dias para garantir o mínimo para sua sobrevivência. Por consequência, cria-se um empecilho para que ocorra a diminuição da contaminação do coronavírus, visto que grande parte dos brasileiros não têm condições para cumprir o isolamento social.
Outrossim, é oportuno salientar que grande parte da população brasileira ainda não segue recomendação do Ministério da Saúde para manter o distanciamento social. À guisa do filósofo Bauman, em sua teoria da “modernidade líquida”, a sociedade hodierna é marcada pela fluidez das relações sociais. Nesse sentido, pela falta de empatia de um para com o outro, muitas pessoas não respeitam o isolamento por não se encontrarem no grupo de risco. A exemplo disso, de acordo com o jornal “G1”, apenas 60% da população tem cumprido o isolamento social. Dessa forma, nota-se que as relações no cenário atual é marcada pela forma superficial e fluida.
Dessarte, é mister que o Estado tome providências para mudar o quadro atual. Para a resolução do impasse, urge que o Governo Federal, por meio de verbas governamentais distribua de forma justa o Auxílio Emergencial às famílias mais necessitadas a fim de reduzir o número de indivíduos nas ruas. Ademais, é necessário que o governo alerte a população sobre a necessidade do isolamento e as consequências do não cumprimento do mesmo, por meio de propagandas nas vias midiáticas que exponha de forma clara tais informações. Desse modo, a realidade vivida em 1918 não se fará tangível e os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia se distanciará da realidade.