Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 20/09/2020
Na antiguidade, o filósofo Aristóteles afirmava que o ser humano era incompleto e precisava estabelecer relações sociais para suprir suas necessidades. Milênios se passaram, entretanto, o conceito aristotélico de animal político permanece atual. Isso pode ser percebido, na contemporaneidade, ao se observar que, devido a aspectos comportamentais e econômicos, a adesão ao isolamento social em casos de pandemia, é um dos grandes desafios enfrentados no Brasil.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o comportamento predominantemente emocional do brasileiro é um dos principais fatores que dificultam a adesão da população ao distanciamento social. Isso porque, de acordo com o conceito de homem cordial do historiador Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro age predominantemente por motivos emocionais em detrimento da razão. Além disso, segundo o IBGE, no país, apenas cerca de 50% da população concluiu o ensino médio. Isso indica que aproximadamente metade dos brasileiros não tiveram um contato adequado com o conhecimento científico durante o período escolar. Dessa forma, é compreensível que grande parte da sociedade tenha uma postura irracional, anticientífica e não pratique o isolamento social em casos de pandemia.
Além desse negacionismo, a necessidade econômica é outro desafio que dificulta a adesão dos brasileiros ao distanciamento social. Isso pode ser constatado ao se analisar o resultado de pesquisas conduzidas pela FGV, de acordo com as quais, cerca de 30% da população do país é pobre. Ademais, estudos realizados pela ONU indicam que o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Esses dados alarmantes apontam para um grave problema social: cerca de um terço dos brasileiros vive em situação de vulnerabilidade. Dessa maneira, levando em consideração os problemas relacionados ao recebimento do auxílio emergencial distribuído pelo governo, como esses brasileiros, que muitas vezes trabalham de maneira informal e não têm renda fixa, podem aderir ao isolamento?
Conclui-se, portanto, que, para favorecer a adesão ao distanciamento social no Brasil em situações de pandemia, o Ministério da Educação deve fomentar a realização de campanhas educativas de prevenção. Tais campanhas devem ser veiculadas nos principais meios de comunicação e devem explicar, com uma linguagem simples, como as transmissão dos agentes causadores da doença acontece e porque é tão importante aderir ao isolamento. Outrossim, é fundamental aprimorar a política de distribuição dos auxílios emergenciais a fim de que uma maior parcela da população em situação de vulnerabilidade tenha acesso a eles. Além disso, o valor dos auxílios deve ser ampliado para favorecer a adesão ao isolamento, aumentar o poder aquisitivo da população e, consequentemente, diminuir o impacto da crise econômica.