Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 16/09/2020

A obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, retrata a injustiça social na França do século XIX. Fora da ficção, no Brasil do século XXI, observa-se um contexto semelhante ao da trama: a injustiça impera no que tange ao desrespeito ao isolamento social em casos de pandemia, criando, na realidade, um óbice que carece de denúncia e intervenção. Nesse contexto, nota-se um grave problema de contornos específicos em virtude de insuficiência de leis e individualismo.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a insuficiência de leis presente na questão. Segundo Umberto Eco, “Para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável”. Por essa ótica, percebe-se uma lacuna explicitada pela falta de uma legislação adequada. Assim, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que acaba por agravar o infortúnio da desobediência durante casos de pandemia.

Outrossim, ainda há um grande impasse para a resolução da problemática que afeta parte da população: o individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo polonês pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que diz respeito ao cumprimento do período de isolamento social durante uma pandemia. Essa liquidez que influi sobre a falta de empatia funciona como um forte empecilho para sua solução.

Torna-se indispensável, portanto, que tais entraves sejam solucionados. Cabe ao governo, em parceria com o Ministério da Cultura, promover uma rede de propagandas e campanhas que demonstrem a importância do cumprimento da quarentena e, também, divulgar canais de denúncia para casos de violação do isolamento social. Tais propagandas poderiam circular nos principais canais de TV do país, assim como redes sociais, para atingir grande parte da população e romper com a mentalidade individualista.