Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 13/10/2020

O isolamento social refere-se ao ato de separar um indivíduo ou um grupo de pessoas do convívio com o restante da sociedade. No contexto atual da pandemia do Coronavírus, o Governo brasileiro junto do Ministério da Saúde, a partir de março de 2020, regulamentou os critérios de quarentena para conter a disseminação do vírus. Em situações emergenciais como essa, é preciso atentar-se às graves consequências geradas no estado mental das pessoas, o que pode inclusive agravar doenças psíquicas já estabelecidas. Além disso, o isolamento social também pode acarretar em crises financeiras que prejudicam drasticamente a rotina e a saúde dos indivíduos.

Já no século V a.C., Aristóteles observava que o Homem é um ser que necessita do convívio com a comunidade para alcançar a completude existencial. Por isso, um cenário de epidemia faz com que as pessoas sintam dificuldades para lidar com desafios diários e desenvolvam transtornos mentais. Ao mesmo tempo em que elas estão impossibilitadas de frequentarem lugares que tragam alívio do estresse, se veem compartilhando suas angústias e medos com os familiares de maneira mais intensa. O impacto dessa mudança no padrão de relacionamento direciona-se diretamente ao funcionamento do cérebro. Um estudo publicado na Revista The Lancet revelou que os casos de ansiedade cresceram mais que o dobro no ano de 2020, enquanto os de depressão tiveram um aumento de 90%.

Concomitantemente, a diminuição da renda pela alteração das atividades comerciais como norma restritiva da quarentena é um gatilho para tornar esse cenário ainda mais desconcertante. As pequenas empresas possuem um peso muito importante na economia brasileira e para a sobrevivência de muitas famílias, e são as mais impactadas. Nesse sentido, uma sociedade em períodos de crises agudas, pode adoecer rapidamente. O sociólogo Émile Durkheim descreve o suicídio anômico justamente como a necessidade de alívio da dor causada por processos de transformações sociais, onde se perde a normalidade das rotinas e possibilidades, inclusive por endividamentos e desemprego.

Diante do exposto, em períodos de isolamento social, o carceramento do direito de ir e vir podem agravar a saúde dos indivíduos. Cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o Governo Federal, criar o maior número possível de canais de comunicação via mídias sociais e telefone, para atender pacientes com histórico de doenças mentais e aqueles que estejam apresentando sintomas de ansiedade, a fim de controlar os riscos dessas patologias. O Ministério da Economia deve criar um programa junto ao Ministério da Educação para promover educação financeira durante as aulas à distância dos alunos do ensino básico, viabilizando a organização dos planejamentos familiares com a participação ativa dos filhos. Assim, o Brasil enfrentará crises com mais saúde e consciência financeira.