Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 27/10/2020
O filósofo francês Jean-Paul Sartre defende que cabe ao ser humano escolher meu modo de agir, pois ele seria livre e responsável. No entanto, fora da Filosofia, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade brasileira no que concerne à adoção de medidas de isolamento social durante pandemias. Assim sendo, observa-se a configuração de uma problemática, em virtude dos desafios para assegurar essas políticas, principalmente a falta de empatia dos cidadãos e o agravamento dos problemas de saúde mental das pessoas.
Antes de tudo, o individualismo presente na questão é evidente e preocupante. Nesse sentido, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade sofre grande influência do individualismo. Nessa perspectiva, essa liquidez influi sobre o desrespeito das ações de retraimento, uma vez que parte das pessoas que violam essas determinações não transgridem elas para necessidades reais como o trabalho ou a compra de mantimentos, e sim para ir a eventos sociais ou encontrar-se com amigos. Nesse contexto, o indivíduo que comete esses atos coloca em risco, não só sua saúde, como também a de pessoas próximas a ele, graças a transmissão dessas enfermidades.
Ademais, o bem-estar psicológico da população isolada pode ser afetado. Dessa forma, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental. Desse modo, essa porcentagem demonstra que problemas relacionados à saúde mental estão presente de forma intrínseca no país, e essa situação pode agravar-se devido ao retraimento. Dessa maneira, manter-se segregado pode piorar esses quadros, porque essas pessoas precisam de apoio psicológico e de pessoas em seu entorno, mas as medidas de isolamento tornam difícil tratar esses transtornos, dado que é recomendável não afugentar-se de suas residências durante esse período.
Infere-se, portanto, que o Estado e a população devem tomar consciência desses desafios e enfrentá-los. Assim, o Ministério da Saúde, juntamente ao apoio das entidades de psicologia, deve, por meio de verbas públicas, criar um programa de ajuda psicológica online e gratuita, com psicólogos a disposição da população para que eles possam tratar os transtornos dessas pessoas sem a necessidade delas saírem de suas residências. Além disso, nesse programa seriam abordados tratamentos alternativos como meditação, exercícios em casa e leitura para diminuir a procura de medicamentos em farmácias, outrossim esses profissionais incentivariam seus pacientes a comprar mantimentos utilizando a internet para que essas recomendações combinadas possam diminuir a necessidade dos cidadãos de se ausentarem de seus lares. Em síntese, a partir dessas ações, essas adversidades poderiam ser combatidas na nação.