Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 04/11/2020

A Constituição da República Federativa do Brasil garante, em seu artigo sexto, direitos sociais como educação, saúde e assistência aos desamparados, para gerar uma vida digna à população. Entretanto, é notório que, apesar dos avanços advindos pela Carta Magna de 1988, perduram problemas como  a dificuldade ao acesso rápido à saúde e a uma vida melhor até os dias atuais, principalmente em um cenário pandêmico que dificulta o dia a dia de todos. Sendo assim, é necessário analisar questões como o transporte lotado e a desigualdade para um debate produtivo acerca da temática.

Em primeira instância, cabe ressaltar o processo de urbanização brasileiro. Dessa forma, por ser um país emergente, a formação das cidades no Brasil é rápida e desorganizada. Logo, os centros são ocupados por indivíduos abastados economicamente -além de possuírem automóveis- e a parcela mais vulnerável precisa pegar transporte público por morar longe dos locais de trabalho, o que gera uma superlotação, proibida em epidemias. De maneira análoga, a filósofa política alemã Hannah Arendt teoriza a banalidade do mal, na qual as pessoas se quer sabem se aquilo que fazem é certo ou não, ou seja, a segregação socioespacial se tornou banal e atrapalhou muitos indivíduos em sua rotina.

Ademais, é adequado apresentar as vantagens que parcela da sociedade possue nos tempos em que o isolamento é fundamental. Então, desde a colonização, a ascensão social é algo difícil devido aos privilégios  e ao poder da classe dominante. Um exemplo disso é o acesso a educação, que, apesar do avanço, ainda possue obstáculos como a dificuldade para uma educação pública e de qualidade. Concomitante a isso, o sociólogo Max Webber propõe o esquema de graduação, no qual um fator ou uma combinação de fatores (renda, tipo de trabalho e grau de instrução) são essenciais na aquisição de bens sociais., isto é, ao cidadão ser privado de algum fator, a mobilidade social é prejudicada.

Em suma, para resolver a problemática da superlotação em veículos públicos e da desigualdade social, medidas são necessárias. Portanto, cabe ao Ministério da Infraestrutura, em conjunto com empresas privadas de transporte, melhorar os trajetos e ampliar as frotas, assim propondo projetos de reforma para ônibus para que a população tenha um acesso ampliado e não provoque aglomerações. Outrossim, o Ministério da Economia precisa criar empregos e programas de qualificações, investindo na melhora das rodovias e flexibilizando horários nos cursos oferecidos, dessa forma amenizando a desigualde do país. A tomada dessas medidas deverá atenuar o problema e cumprirá a Carta Magna.