Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia
Enviada em 16/11/2020
O isolamento social se tornou o centro das estratégias globais para combater a pandemia do corona vírus, com o objetivo de “achatar a curva” de disseminação da doença, ou seja, evitar que o número de casos se acumule em um curto espaço de tempo e cause o colapso dos sistemas de saúde. Entretanto, essa política possuí diversos desafios em um país desigual como o Brasil. Além de grande parte da população depender da renda de empregos informais, como vendedores ambulantes e comerciantes das chamadas “feiras hippies”, o Brasil ainda têm um enorme contingente de moradores de ruas.
Primordialmente, a porcentagem de emprego informal no Brasil é uma das maiores das últimas décadas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), portanto uma parcela considerável da população necessita sair de casa para conseguir pagar as contas básicas e colocar comida na mesa. Embora a venda online, por meio das redes sociais, tenham sido um fator importante para manter o comércio funcionando, de acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) a maioria dos vendedores ambulantes não possuem condição de comprar os equipamentos necessários para tal empreendimento. Ademais, os outros empregos citados são extremamente dependentes da circulação de pessoas nas calçadas, pois não possuem o conhecimento de marketing necessário para as vendas online e os seus produtos são comercializados por meio da interação com o cliente.
Em segundo lugar, é impossível realizar o isolamento social sem a ferramenta essencial que é uma moradia adequada. De acordo com a CUT, amenizar os impactos da doença aos sem-teto passou a ser visto como uma medida de urgência para impedir a propagação do vírus. Porém, não existem abrigos suficientes nas grandes capitais do Brasil para abrigar essa parcela da sociedade e, na maioria das vezes, os moradores de ruas são obrigados a ocupar os espaços públicos para se refugiarem nos períodos noturnos. Desse modo, o afastamento social não é cabível, e o governo se mostra despreparado para conter o avanço do COVID-19.
Logo, são necessárias atitudes que reprimam a propagação do vírus mas que levem em conta a saúde e o bem-estar da população brasileira. Dessa forma, o Governo Federal, em parceria com os governos estaduais, devem garantir uma renda básica mínima para os trabalhadores informais, por meio de políticas como o auxílio emergencial, com o objetivo de garantir segurança as famílias e retirar a necessidade de sair de casa para trabalhar. Similarmente, os governos estaduais, em parceria com as prefeituras, precisam ampliar as suas políticas para os sem-teto, por meio da criação de novos abrigos, com o intuito de retirar essas pessoas da rua e conter a dissipação do corona vírus.