Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 01/12/2020

O processo de globalização, no final do século XX, ampliou a integração socioespacial em nível global, facilitando a propagação de doenças virais, como a COVID-19 — doença infecciosa causada por um coronavírus recém-descoberto. Sob esse viés, no cenário atual, observa-se a configuração de um grave problema envolvendo os desafios do isolamento social no Brasil em casos de pandemia, conduzidos, sobretudo, pela questão financeira, somada às condições de saúde mental da população.

Em primeira análise, é válido discernir que, o acelerado e desordenado processo de êxodo rural, não foi acompanhado pela infraestrutura urbana e, logo, desencadeou uma série de problemas sociais, entre eles, a desigualdade. Diante disso, os cidadãos de baixa renda, na necessidade de obter recursos para assegurar sua sobrevivência, se submetem à serviços mal remunerados, os quais garantem apenas os requisitos básicos de sustento. Dessa forma, na impossibilidade de guardar dinheiro para se manter em momentos de crise, o isolamento familiar se torna irrealizável, visto que, as pessoas necessitam sair de suas casas para adquirir retorno financeiro.

Ademais, um estudo feito pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), apontou que os casos de depressão praticamente dobraram desde o início da quarentena do novo coronavirus. Essa realidade, se deve, essencialmente, ao fato de o ser humano, historicamente, desde o princípio, conviver em grupos, mantendo-se sempre em interação. Nessa lógica, tal conjuntura vai de encontro com filósofo Aristóteles, que afirma que “o homem nasceu pra viver em sociedade”. Desse modo, as mudanças na rotina ocasionadas pelo distanciamento social decorrente da pandemia, acabam transfigurando distúrbios mentais, uma vez que, alguns indivíduos não sabem como lidar com grandes modificações no cotidiano.

Portanto, em virtude dos fatos citados, faz-se necessário medidas para combater os obstáculos do distanciamento coletivo em períodos de pestilência. Nesse prisma, urge aos governos estaduais, por meio de campanhas de doação, promover a arrecadação de alimentos, produtos de higiene e remédios, a fim de que a população não precise se arriscar nas ruas para conseguir recursos para sobreviver. Outrossim, o Ministério da Saúde deve prestar apoio psicológico à população, oferecendo consultas gratuitas à domicílio, realizadas por profissionais especializados na área, com o objetivo de orientar e ajudar a comunidade a encarar esse período de turbulência, e por conseguinte, conter os casos de depressão. Dessa maneira, o problema seria resolvido de maneira eficaz, contribuindo, assim, para que os efeitos negativos trazidos pelo processo de globalização, fossem atenuados da sociedade brasileira.