Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 18/12/2020

Durante a Idade Média, a peste negra foi uma doença extremamente contagiosa e letal que se espalhou pelos territórios europeu e asiático, dizimando cerca de um terço da população dessas regiões. Na época, pouco se sabia sobre o processo de transmissão e cuidados com enfermidades, de modo que os contaminados ficaram entregues à própria sorte. Em paralelo com a História, o mundo hodierno vive uma crise para solucionar as problemáticas da pandemia causada pelo novo coronavírus, que, apesar de ter uma taxa de mortalidade menor, tem taxas de infecção extremamente elevadas. Nesse sentido, torna-se perceptível que a falta de investimentos estatais e a negligência populacional em relação ao isolamento social são as principais causas desse impasse no país.

De fato, a ascenção da COVID-19 tem se tornado uma questão em pauta no território brasileiro. Segundo o Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas (CSSE) da universidade de Johns Hopkins, o Brasil superou mais de 180 mil mortes pelo novo coronavírus. Esse dado evidencia a gravidade da doença que, se não tomadas todas as medidas profiláticas e sanitárias cabíveis, pode atingir números inimagináveis. Nesse contexto, a falta de investimentos estatais em ações contra a COVID-19 — como a disponibilização de álcool em gel, sabão, máscaras e um maior número de leitos nos hospitais — é um fator crucial para o desenvolvimento da pandemia no Brasil.

Paralelamente, a negligência populacional sobre os altos riscos de transmissão do coronavírus corrobora com a problemática. Nessa perspectiva, o filósofo Jeremy Bentham defende, a partir da ética utilitarista, que as ações sociais devem ser pautadas no caráter pluralista, com o intuito de beneficiar a maior quantidade possível de cidadãos. No entanto, ao analisar a situação dos infectados pela COVID-19, verifica-se a não efetivação desse pressuposto, pois a falta de compromisso com o isolamento social é um dos principais fatores da propagação do vírus, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Dessa forma, sabe-se que a ineficiência de medidas restritivas do Estado, como a proibição do acesso às praias e bares, interage de maneira análoga com a crise nacional do coronavírus.

Portanto, é mister que o Ministério da Saúde, órgão da administração brasileira lançado por Getúlio Vargas, por meio de verbas financeiras, invista na disponibilização gratuita de produtos de higiene e leitos nos hospitais nas maiores áreas populacionais do país, incluindo a zona rural, com o intuito de reduzir a taxa de transmissão da COVID-19. Ademais, cabe à mídia criar políticas de entendimento acerca da real importância do distanciamento social, por meio de propagandas na TV aberta em horário nobre, para que a população possa se conscientizar sobre os riscos de grandes aglomerações. Dessa forma, será possível assegurar que o número de mortes causado pela peste negra não se repita.