Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 20/06/2021

“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Para muitos brasileiros, esse ditado se torna realidade quando há a necessidade do isolamento social em contraposição à essencialidade de sair de casa para trabalhar e pagar as contas. Nesse sentido, os desafios do isolamento social no Brasil em casos de pandemia se dão em um conflito entre as necessidades financeiras e da saúde.

Em primeiro plano, é fato que a pandemia do Covid-19 ocasionou até agora mais de 500 mil mortes no país. Há séculos, humanos clamam por direitos à vida e à segurança, como no movimento intelectual denominado Iluminismo. Portanto, visto que pandemias ameaçam a vida e a saúde da população, permanecer em casa para evitar a circulação do agente infeccioso deveria ser um direito de todos. Então, o isolamento social é uma necessidade e uma questão de saúde em casos de pandemia.

Por outro lado, é impossível ignorar a necessidade da população sair para trabalhar, pois precisam pagar os gastos com alimentação, água, eletricidade, etc. Isso porque, apesar de muitas empresas terem adotado o trabalho remoto, sabe-se que o número de trabalhadores informais ultrapassa os 40% no mercado brasileiro em 2019 de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o instituto informa que esses se concentram nos setores de serviços domésticos, agropecuária e construção, nos quais há necessidade de trabalho presencial, portanto, com baixa capacidade de isolamento social.

Desse modo, conclui-se que grande parte da população brasileira não tem como trabalhar remotamente para evitar o contágio da doença, apesar de ser necessário para assegurar sua saúde em meio à pandemia. Em adição a isso, essas pessoas precisam sair de casa para conseguir sustentar suas necessidades básicas. Ciente disso, o Governo da República deve decretar medidas de isolamento social e ao mesmo tempo fornecer um apoio financeiro, como o Auxílio Emergencial, para a população conseguir se manter fora dos transportes públicos e das ruas, enquanto os governos do Estado e as Prefeituras mobilizam forças-tarefa para fiscalizar a circulação das pessoas, bem como as aglomerações. Assim, a quantidade de infecções diminui, salvando muitas vidas. Além disso, a população tem subsídio para manter-se financeiramente durante o pequeno período em que param de trabalhar.