Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 16/08/2021

“No dia em que todas as pessoas do planeta inteiro resolveram que ninguém ia sair de casa”, canta Raul Seixas em sua música “O dia em que a terra parou”. Apesar da canção ser de 1977, retrata bem a situação do mundo com a pandemia do coronavírus, em 2020, que causou diversos desafios referente ao isolamento social no Brasil. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da desigualdade social e da ineficiência das leis.

Sob esse viés, pode-se apontar como um fator determinante a disparidade social. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil é hoje o sétimo país mais desigual do mundo. Tal disparidade é nítida na questão da quarentena por conta da pandemia do coronavírus, visto que nem todos os brasileiros podem permanecer em casa com tranquilidade, pois dependem de vendas em semáforos, praias, comércios, feiras e sem ir às ruas conquistar suas vendas diárias, algumas família permanecem sem renda e consequentemente determinadas delas passam por necessidades, como a falta de alimentos para as refeições do dia. Assim, diminuir a desigualdade no país é fundamental para atuar sobre esse problema.

Além disso, outro fator influenciador é a insuficiência legislativa. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir o direito a uma vida digna. Porém, essa legislação não tem sido o bastante na pandemia, uma vez que de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 160 mil pessoas estão em situação de rua no país. Desse modo, a frase “fique em casa” não é válida, pois nem todos possuem uma, o que claramente é um desafio para conter a pandemia, pois o Sars-Cov-2 está nas ruas e essas pessoas também, estando cada vez mais suscetíveis à contaminação e correndo risco de vida. Sendo assim, com a Constituição enfraquecida, o problema persiste.

Portanto, faz-se necessário uma intervenção. Para isso, o Governo Federal deve criar uma agenda econômica mais democrática, por intermédio da destinação de recursos para autônomos e grupos excluídos, a fim de reverter a desigualdade social que se instala na quarentena. Tal ação pode, ainda, ser divulgada na mídia para que a população tome conhecimento. Paralelamente, é preciso intervir sobre a ineficiência legislativa por meio de políticas públicas mais severas. Assim, o Brasil deixará de enfrentar desafios em casos de pandemia.