Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 04/11/2021

Desde 1808, com a vinda da família real para o Brasil, conhecido como período Joanino, validou-se uma hierarquia social baseada no poder ecônomico, que excluía e desfavorecia as camadas mais pobres. Nessa perspectiva, o surgimento da necessidade do isolamento social em casos de pandemia estabelece uma série de desafios, desencadeados pela estratificação social, prejudicando as camadas menos favorecidas e estimulando a superlotação dos hospitais.

Nesse contexto, é válido ressaltar que na obra “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, é retratada a constituição e manutenção da estratificação social, que favorece a concentração de renda e expansão dos índices de pobreza. Dessa maneira, o isolamento social se torna inexequível para a maioria dos brasileiros, devido a falta de recursos, apoio financeiro, acesso à moradia e acúmulo de dívidas, pois a pandemia fortaleceu as taxas de desemprego conjuntural e afetou nocivamente as vendas dos trabalhadores informais. Outrossim, mais de 15 milhões de indivíduos ficaram sem emprego no país, segundo dados da Agência Brasil.

Em segundo lugar, vale salientar que as camadas menos favorecidas que precisam continuar a trabalhar e romper o isolamento social na pandemia, estão mais suscetíveis a contrair o patógeno e a disseminar o vírus da Covid-19 ou outras doenças em ascensão. Desse modo, esses indivíduos promovem a validação e crescimento do contágio, e devido as condições sociais  estimulam a superlotação dos hospitais, no qual são os mais afetados, possuem a maior taxa de mortes, com falta de acesso a bons tratamentos, acompanhamento e medicamentos. Destarte, as capitais estão com os hospitais públicos com superlotação acima de 90%, dados fornecidos pelo site Uol.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Cidadania, promovam políticas de equidade, acesso à saúde e moradia, por meio de auxílio financeiro as famílias pobres para que cumpram o isolamento, com melhorias aos acessos sociais básicos, fornecendo tratamento, acompanhamento médico em casos necessários, moradia, segurança e suspensão das dívidas até o indivíduo conter um emprego fixo. Assim, reduzir a superlotação nos hospitais, garantir altos índices de isolamento social e controle da pandemia.