Os desafios do planejamento familiar no Brasil
Enviada em 08/09/2019
A criação da pílula anticoncepcional na década de 1960 revolucionou os hábitos sexuais da sociedade contemporânea e contribuiu para novas formas de controle de natalidade. No entanto, ainda que os métodos de prevenção de gravidez tenham sido modernizados, a falta de acesso aos contraceptivos pela população mais pobre e o preconceito gerado no ensino sobre sexualidade, corroboram para as desigualdades de oportunidades oferecidas a favor do direito do planejamento familiar pela sociedade brasileira.
Nesse contexto, é possível analisar que o conceito de organização da família em relação a escolha do número de filhos depende do auxílio governamental. Segundo a Constituição Federal de 1988, o planejamento familiar é direito de todo cidadão brasileiro e dever do Estado como auxiliador desse processo. Contudo, a prática não atende plenamente a teoria, uma vez que as pessoas mais pobres não tem acesso completo aos preservativos e outros contraceptivos, seja pela falta de informações sobre a utilização, seja pela pouca oferta desses recursos disponíveis pelos órgãos públicos de saúde. Com efeito, há aumento do número de filhos por casal em áreas mais carentes e sem assistência plena do Governo vigente.
Além disso, o tabu gerado sobre a discussão da educação sexual na sociedade estimula a gravidez precoce, fator que vai de encontro às políticas de controle de natalidade e planejamento familiar no país. Isso de dá, em grande parte, pela colonização portuguesa no Brasil, que teve como base os preceitos religiosos da igreja católica, a qual influenciou o comportamento da sociedade, mostrando o corpo e a vida sexual como pecado. Assim, essa ideologia religiosa perdurou no comportamento social até a contemporaneidade, uma vez que os indivíduos tratam o sexo como tema censurado por não atender as expectativas conservadoras. Logo, as pessoas mais jovens não aprendem sobre a importância do uso de métodos contraceptivos, e tendem a gerar filhos precocemente com dificuldades de criação afetiva e financeira.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para superar os desafios do planejamento familiar no Brasil. É imprescindível, então, a atuação do Ministério da Saúde - instituição federal responsável por oferecer as condições necessárias para manter o bem-estar da população - junto às escolas públicas presentes em regiões mais pobres, na montagem de projetos, a partir do investimento do erário, ao levar médicos para palestrar sobre a importância da utilização e do modo de uso de técnicas contraceptivas, para, dessa maneira, fornecer as mesmas oportunidades nas decisões de gerar filhos e proporcionar a revolução dos anos 60 à todos de modo igualitário.