Os desafios do planejamento familiar no Brasil

Enviada em 15/10/2019

(Des)estrutura: gestão e realização

No início da década de 1950, houve, no mundo subdesenvolvido, uma explosão demográfica condicionada pelo avanço da medicina, com o descobrimento dos antibióticos e, por consequência, as quedas das taxas de mortalidade. Entretanto, a falta de projetos sociais e econômicos para suportar esse cenário contribuíram para as desigualdades de acesso à saúde, educação e renda. Atualmente, isso é refletido na dificuldade de planejamento familiar, sobretudo no Brasil. É necessário,portanto, um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os erros existentes sejam sanados.

Sob esse viés, consolida-se o pensamento de Immanuel Kant acerca de o ser humano ser aquilo que a educação faz dele, baseado na conjuntura do obsoleto ensino financeiro existente no país. Essa situação é propiciada pela inexistência da obrigatoriedade de matérias, desde o ensino primário, que induzam o indivíduo à administração eficiente da sua renda futura. Isso, por consequência, dificulta a perspectiva de planejamento familiar, à medida que o mercado dita o consumo, e a população não é ensinada a poupar para investimentos posteriores. Paralelo a essa situação, há a Base Nacional Comum Curricular que não traz como obrigatoriedade essa orientação, o que corrobora para que gravidezes sem planejamento monetário e cultural ocorram com maior frequência.

Convém ressaltar, também, a histórica concentração de renda nas mãos das oligarquias cafeeiras brasileiras, que contribui para uma economia instável, com uma taxa de 11,8%, segundo o IBGE, de desempregados. Esse cenário conduz a classe abastada à dificuldade de acesso à saúde de qualidade, o que reduz a expectativa de vida e acarreta a formação de uma sociedade imediatista.Assim, pensamentos momentâneos de possibilidade de realização pessoal são colocados à frente de projetos futuros, o que culmina no crescimento desconcertado de famílias, mesmo sem a possibilidade de investimentos na vida dos filhos por parte dos genitores.

Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes.Cabe, portanto, ao Ministério da Educação a criação de uma emenda na Base Nacional Comum Curricular com o acréscimo da obrigatoriedade de matérias sobre gestão financeira e educação sexual no ensino primário, a fim de contribuir para o planejamento de renda em consonância com o número de filhos pretendidos por um casal; e ao Ministério da Saúde a abertura de concursos, por meio da criação de uma banca organizadora especial, para agentes de saúde de áreas remotas. Com isso, a expectativa da classe baixa crescerá e a sociedade imediatista brasileira será desestruturada, contribuindo para perspectivas de planejamentos familiares futuros do país.