Os desafios do planejamento familiar no Brasil
Enviada em 27/05/2020
Conforme a Lei n° 9.263, de 1996, o planejamento familiar é um direito de todos os brasileiros, sendo caracterizada por ações que atendem aos desejos de concepção e contracepção. Essa política pública auxilia a muitos casais a garantir estabilidade financeira e emocional, e também a conter o ritmo acelerado de crescimento populacional. Nesse contexto, cabe analisar a gravidez precoce e a influência do machismo como impasses ao exercício do efetivo controle familiar.
Mormente, fala-se da deficitária orientação familiar como aliada à gestação na adolescência. Após o início cedo da vida sexual, muitas garotas sentem vergonha, por falta de confiança de compreensão da família, em tirar dúvidas sobre sexo ou solicitar ida ao ginecologista para receber orientações e acesso aos métodos contraceptivos. Segundo o DATASUS, em 2014, 20% dos partos realizados pelo SUS eram de meninas na faixa etária de 10 a 19 anos. Tal dado demonstra relação da comunicação parental e o papel dos pais como fonte, também, do sexo seguro com o adiamento de uma possível gravidez. O resultado disso, além do aumento da população é a evasão escolar, uma vez que muitas adolescentes precisam abandonar os estudos para trabalhar e garantir o sustento do novo membro.
Ademais, comenta-se da cobrança que é conferida à mulher como única a se prevenir da gravidez. Além de argumentarem que a camisinha diminui o prazer sexual durante o ato, muitos homens acreditam que realizar a vasectomia diminui a libido e a potência sexual e, consequentemente, afeta sua masculinidade. De forma análoga ao Mito da Caverna, de Platão, é necessário que os indivíduos da sociedade se soltem das amarras do senso comum e não se limitem às sombras da falta de informação sobre o tema. Como consequência disso, a negativa da esterilização cirúrgica masculina e falta de uso de preservativos como vias anticonceptivas causam o maior peso da culpa de uma gravidez indesejada à mulher, afinal ela era a responsável por tomar regularmente os remédios.
Portanto, medidas são necessárias para garantirem a eficiência do planejamento familiar no Brasil. É imperiosa a parceria do Ministério da Educação com o da Saúde na implementação da educação sexual no currículo escolar, por meio de lei, com a participação de profissionais de saúde e professores ensinando sobre uso de preservativos, importância dos cuidados e garantir espaço seguro e confortável aos alunos a fim de conscientizar sobre a gravidez precoce e combate também às DST’s. Além disso, o Ministério da Saúde deve produzir vídeos que simulam homens conversando com médicos sobre a vasectomia, desmitificando fatos sobre ela e, assim, incentivar a adesão da população à vasectomia como método contraceptivo. Criam-se, assim, maneiras de melhorar a qualidade de vida de muitos brasileiros.