Os desafios do planejamento familiar no Brasil

Enviada em 30/09/2020

O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisam os desafios para que haja um planejamento familiar adequado  na sociedade, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade. Impasses como esses são potencializados ora pela inércia estatal, ora má formação socioeducacional do brasileiro.

Em primeira análise, fundamentando-se na Teoria do Corpo Biológico, proposta pelo sociólogo Émille Durkheim, a sociedade atual funciona como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público, configura-se como um órgão falho, dado que os investimentos destinados em ações que informem e que orientem, em especial, as crianças e os adolescentes no que diz respeito ao planejamento familiar e as possíveis consequências pela a não realização de tal ação, são ínfimos. Em decorrência da falta de orientação de órgãos capacitados, muitos  jovens são acometidos por gravidez indesejada de forma precoce, tal ato propicia mudanças na vida futura na do adolescente, pois muitas vez são “obrigados” a deixarem as escolas e irem em busca de trabalho, já que, majoritariamente, pessoas de baixa renda são as mais acometidas pela a falta de informação.

Outrossim, a má formação socioeducacional do brasileiro é um fator determinante para a permanência do entrave. Nesse sentido, o meteorologista Edward Lorentz, diz em Teoria do Caos que uma pequena mudança no início de um evento pode trazer consequências diversas e desconhecidas no futuro. Sob essa óptica, algumas instituições de ensino possuem um ensino deficitário e pouco preparam os indivíduos para um desenvolvimento aprazível em sociedade, pois não repassam discernimento e informações necessárias acerca de problemas cotidianos, já que o âmbito escolar tem a função de desenvolver o agir crítico nos jovens, com o intuito de que futuramente menos pessoas sejam acometidas pelo a falta de estruturação familiar.

Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação do impasse. Para tanto, urge que o Estado aliado à mídia divulguem campanhas socioeducativas acerca da importância do planejamento familiar, por intermédio da inserção de profissionais capacitados no assunto explicando as consequências do não planejamento, a fim de que menos pessoas possam sofrer por tal ato. Ademais, é importante que as escolas insira nas grades curriculares assuntos voltados para o cotidiano, como a necessidade de informar e orientar o planejamento familiar, por meio de atividades lúdicas e teóricas com a participação dos pais, com o intuito de que o ideal de Nietzsche seja validado.