Os desafios do planejamento familiar no Brasil
Enviada em 28/05/2020
Na série norte-ameriana Grey’s Anatomy as melhores amigas Meredith Grey e Cristina Yang compartilham o mesmo impasse - gravidezes não planejadas com um potencial de impossibilitar suas carreiras - em que Grey, que opta por ser mãe, enfrenta grandes impasses para manter sua vida profissional em ascensão, enquanto Yang, que realiza um aborto, ascende consideravelmente mais. Fora da ficção, esta é a realidade de muitas brasileiras, as quais, por falta de planejamento familiar, acabam tendo suas decisões e projetos de vida à mercê do acaso. Visto isso, cabe analisar tanto as origens da dificuldade dos casais jovens em ter um controle no crescimento da família.
Primeiramente, é notório que, apesar de os números de filhos por mulher terem caído consideravelmente nas ultimas seis décadas - de 6,2 para menos de 1,8, de acordo com dados do IBGE - as causas dessa questão ainda não foram devidamente exploradas, visto que essa média apresenta grande discrepância entre as classes sociais. Jovens com alto poder aquisitivo tendem a retardar o início de suas famílias em detrimento de suas projeções acadêmicas e profissionais, enquanto os demais, de baixa renda, costumam tomar um caminho mais breve para ter filhos, sem por em questão os aspectos financeiro, psicológico e de saúde. Isto ocorre, principalmente, pelo espelhamento em exemplares que cingem a família e meio social.
Para mais, tem-se o fato de que, nas escolas, as meninas são o alvo principal da educação sexual no que diz respeito à gravidez precoce, tendo como subterfúgio os aspectos biológicos não só de poder conceber mas também o de ter uma idade fértil limitada - 10 a 49 anos - enquanto os meninos são desprendidos de parte dessa responsabilidade. Uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde aponta para um número alarmante - cinquenta e três por cento dos homens escolhem não usar camisinha em suas relações. Por conseguinte, fica claro que essa não é uma incumbência exclusivamente feminina.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver os desafios do planejamento familiar no Brasil. O Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação devem promover uma apostila básica de educação sexual para adolescentes, as quais devem conter tópicos focados em gravidez não pretendida e programação da vida adulta, a fim de gerar consciência e internalizar nos alunos a importância desse tema para a construção de um futuro. Somente assim é possível combater a problemática e gerar uma nova perspectiva de vida para a juventude brasileira.