Os desafios do planejamento familiar no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Nos países desenvolvidos, como a Noruega e a Suíça, os chefes das famílias postergaram o desejo de terem filhos, na tentativa de arquitetarem uma estrutura financeira e emotiva de qualidade. No entanto, no Brasil, seja pela educação sexual defasada, seja pela má gestão dos recursos públicos, o planejamento familiar é dificultado. Portanto, é necessário um debate entre Estado e sociedade, com o objetivo de que os impasses existentes para a programação das famílias seja possibilitado.

A priori, pode-se destacar a frase do filósofo Sêneca acerca de a educação ser importante por influir sobre toda a vida, visto que o Estado é displicente em oferecer educação sexual e financeira de qualidade.Dessarte, a população desconhece as formas de manuseio dos métodos contraceptivos e como poupar seus recursos monetários . Por consequência, assim como ressalta a escritora francesa Françoise Héritier, o mal começa com a indiferença e a resignação, já que esse cenário culmina em gestações indesejadas e  famílias economicamente e psicologicamente desestruturadas. Acresce que, há a inconstitucionalidade frente ao Estado não assegurar o direito, previsto na Constituição da República Federativa do Brasil, à educação.

A posteriori, convém ressaltar a ideia do sociólogo Karl Marx sobre o governo gerir apenas os negócios comuns à burguesia, à medida que a distribuição de métodos contraceptivos é heterogênea. Dessa forma, ora pelo fato de os gestores priorizarem o abastecimento das Unidades Básicas de Saúde em bairros elitizados, ora pela distribuição também desigual dos recursos para o transporte de profissionais da saúde até regiões afastadas, como as comunidades ribeirinhas, as gravidezes não planejadas, novamente, são realidade. Ademais, como não ocorre o evidenciado por Émille Durkheim no que cerne à sociedade ser como um corpo biológico em que as partes devem interagir para garantir a coesão e a igualdade, isto é, há a desigualdade da distribuição de renda, diversas famílias, sobretudo das classes mais baixas, são impossibilitadas de realizarem planejamento financeiro.

Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes.Logo, cabe, respectivamente, ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino, a introdução, na Base Nacional Comum Curricular, da obrigatoriedade de aulas expositivas e  campanhas, na televisão, por meio do envio da proposta ao Congresso Federal, sobre os métodos contraceptivos e a organização financeira,a fim de educar as famílias; e ao Ministério da Economia, o treinamento dos gestores, com a finalidade de melhor distribuir os recursos em todas os setores sociais. Assim, o país, como a Noruega e a Suíça, possibilitará um cenário de planejamento familiar.