Os desafios do planejamento familiar no Brasil
Enviada em 12/08/2021
Jorge Amado, importante escritor baiano, narra, em sua obra “Capitães da Areia”, a realidade vivenciada por muitos moradores de rua. Esses, sem pai e mãe, enfrentam diversos desafios relacionados à sobrevivência e, rotineiramente, são expostos à miséria e fome. Fora da ficção, de modo similar, a ausência de planejamento familiar, por vezes, se desdobra em problemas sociais graves. Dessa maneira, para superar esse desafio, é fundamental ampliar o debate.
Antes de tudo, a Constituição Federal, promulgada em 1988, em seu artigo 226, descreve a família como base da sociedade. Atuando, desse modo, na maturação do infante. A não adoção de planejamento familiar, prática frequente e crescente entre os brasileiros nas últimas décadas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), compromete, não somente o indivíduo, mas todo corpo social. Pois, como abordado, em 1974, na conferência de Bucareste, a partir da omissão do Estado - destacada pela baixa difusão de políticas de conscientização sobre a criação dos filhos e pelo pequeno investimento em educação sexual- uso de preservativos, implicações da gravidez, paternidade precoce- cria-se uma geração de pais que não se prepararam econômica e psicologicamente. Como efeito, pela ausência de um projeto familiar- pensado coletivamente- o ideal constitucional é negligenciado e, de modo geral, reproduz-se a chaga social da desigualdade, percebida, sobretudo, no inchaço urbano, nos níveis de desemprego, no aumento da fome; como exemplificado pelo escritor baiano.
Ademais, de acordo com o IBGE, o principal modelo familiar brasileiro é o monoparental- aquele no qual a mãe é, majoritariamente, a única supridora da criança. Esse cenário expõe os inúmeros prejuízos oriundos do não planejamento familiar; tendo em vista que, para o sociólogo Émile Durkheim, na ausência de um acordo mútuo - entre os responsáveis- que, visando o longo prazo, priorize a formação psicossocial da criança - a família pode se tornar um organismo afuncional, expondo, assim, mãe e filho à vulnerabilidade social, oriunda, por exemplo, do acúmulo de tarefas, responsabilidades e dívidas; que são , de acordo com o site Brasil Escola, causadoras dos principais problemas familiares da atualidade.
Diante desse contexto, urge, destarte, que toda conjuntura social compreenda a relevância da temática. Para tanto, os Ministérios da Educação e Saúde devem adotar estratégias diversas a fim de reduzir a incidência de gravidezes não planejadas. Para isso, por meio da criação,por exemplo, de núcleos de saúde básica, ofertadas como grade curricular nas escolas, alertar e instruir os alunos sobre as consequências da formação familiar imprudente e como evitá-la.