Os desafios do planejamento familiar no Brasil
Enviada em 18/10/2021
“O indivíduo é fruto do ambiente em que está inserido”. Nessa concepção, a afirmação atribuída ao filósofo francês Émily Durkheim é claramente aplicável aos desafios do planejamento familiar no Brasil, ao considerar que a precariedade da educação sexual existente no país configura-se com um percalço para a melhoria desse cenário, o que representa grave problema social. Com efeito, há de se deliberar como a desigualdade social e a escassez de alimento estão ligadas à essa questão.
É válido pontuar, de início, que a insuficiência financeira é um dos principais desafios da questão. A esse respeito, o escritor Machado de Assis disserta de não ser verdade que o Brasil esteja avançando rumo a ser sociedade igualitária. Nessa ótica, a sociedade brasileira repercute, ainda, padrões ligados à sua situação colonial, em que a falta de planejamento familiar contribuiu para muitos dos problemas atuais - moradia, alimentos, higiene pessoal -, o que marginaliza substancial parcela da população sem condições básicas de dignidade. Assim, é inconcebível que, diante da gravidade do cenário denunciado por Assis, políticas públicas não sejam aplicadas para atenuação da questão.
De outra parte, a falta de alimento, dentre tantos problemas causados pela falta de planejamento familiar, ilustra a faceta cruel dessa questão. Acerca disso, o escritor francês Victor Hugo, em sua obra “Os miseráveis”, retratou o cenário degradante vivenciado em Paris, em que Valjean - protagonista da obra - rouba um pão e é duramente punido pelo Estado. Nesse sentido, não são raros os casos em que indivíduos fruto de uma gravidez não planejada e sem condições básicas de existência são inclinados a obterem de forma ilícita o mínimo para viver, e terceirizam ao Poder de Polícia o combate à contravenção penal, o que representa grave mazela social. Lê-se, pois, como grave, o frágil planejamento familiar.
É mister, portanto, que o planejamento familiar seja tratado como uma prioridade no Brasil. Para tanto, a escola - instituição responsável pela formação cidadã-, deve, por meio de wokshops e palestras, veicular conteúdos capazes de influenciar o comportamento dos indivíduos, ilustrando os diferentes tipos de métodos contraceptivos, de modo a desenvolverem a sexualidade de forma responsável. Essa iniciativa será chamada de “Planeje sua família”, e deverá ser promovida para os alunos do ensino médio, visto que possuem maior maturidade para entender a importância da situação. Nessa lógica, a previsão de Durkheim fará com que o meio em que a juventude está promova o caminho para o progresso da nação.