Os desafios do planejamento familiar no Brasil
Enviada em 19/11/2021
No século XVIII, a geração romântica indianista foi responsável por valorizar, na literatura, a verdadeira essência do povo brasileiro e suas riquezas. Entretanto, é notório que os valores nacionalistas, expostos no Romantismo, permaneceram apenas nas obras literárias. Logo, tal prerrogativa indianista não tem se refletido com a ênfase na prática, inserindo, desse modo, uma negligência aos desafios do planejamento familiar no Brasil. Diante disso, a ausência de medidas governamentais e a má influência midiática são as causas principais que têm auxiliado na manutenção da problemática supracitada.
Nesse cenário, deve-se ressaltar a escassez de medidas governamentais para maior alcance de métodos contraceptivos às pessoas mais carentes.Por conseqüência, o filósofo alemão Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito a do mundo, de modo que justifica uma das causas do problema, pois, embora exista distribuição de métodos anticoncepcionais nas Unidades de Saúde, o número dessas concepções ainda é alto no Brasil atingindo os jovens de menor classe social e escolaridade, visto que segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS) cerca de 46% das gravidezes não são planejadas.
Concomitante a isso, a mídia - meio de comunicação em massa - atua como direcionador do pensamento grande parte da população. Acerca disso, segundo o pensador francês contemporâneo Pierre Bourdieu: “Aquilo que foi criado para tornar o instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica”. Então, observa-se que a mídia não está promovendo a reflexão e o debate necessário em torno da eficiência de um projeto familiar, uma vez que há baixos números de propagandas informativas e pouca visibilidade para enfatizar maneiras de proteção e suas importâncias nos meios de comunicação, revelando, assim, essa disfunção. Por fim, nota-se o desconhecimento da população em relação aos seus problemas, dificuldade para o diagnóstico e colaborando para o aumento desse obstáculo social.
Depreende-se, portanto, que é de suma importância destravar os desafios referentes ao planejamento familiar. Em vista disso, é papel da Secretaria Especial de Comunicação Social, por meio da liberação de verbas destravadas às ações sociais e com o apoio das escolas, desenvolver atuações que revertam a má influência midiática, como elaborar vídeos, cartilhas e aulas com conteúdos direcionados a educação sexual, a fim de sensibilizar o jovens sobre a gravidez precoce.Talvez, assim, os dispositivos utilizados para opressão simbólica sejam convertidos e direcionados em instrumentos democráticos, como proposto por Pierre Bourdieu, no século XX.