Os desafios do planejamento familiar no Brasil

Enviada em 10/04/2024

De acordo com uma pesquisa realizada pelo DataFolha, 93% dos brasileiros acreditam que o ambiente escolar deve ser espaço para conscientização da prevenção da gravidez indesejada. Entretanto, no cenário nacional, grande parte das famílias continua com este problema que diz respeito a filhos não planejados. Tal situação se deve a vários fatores, como o desconhecimento feminino sobre anticoncepcionais e abandono paterno da responsabilidade. A falta de estudo entre as mulheres, associada com o descomprometimento de homens, é um dos principais desafios para o planejamento familiar.

Haja vista que a Constituição de 1988 define estratégias de planejamento familiar, os métodos já existentes mostram-se incapazes de abranger toda a população. Infelizmente, a maioria das mulheres pobres não tem acesso à educação sexual, que trata sobre diversos métodos contraceptivos e passos para evitar a gravidez. Constantemente, os próprios professores não dispõem de material para que a aula seja ministrada, seja através de livros didáticos ou de utensílios práticos. Dessa forma, uma boa aula que trata sobre planejamento reprodutivo é impossibilitada devido à falta de recursos.

Contudo, não é apenas a dificuldade material que impede a prevenção da gravidez indesejada, mas também o descaso da parte masculina. Em 2013, mais de 110 mil crianças foram registradas sem o nome do pai, de acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil. Nesse sentido, a pesquisa revela que os homens são mais propensos a não assumirem a responsabilidade de criar uma criança e, portanto, não se preocupam se ela será gerada. Inegavelmente, a falta de compromisso paterno e a falta de conhecimento materno dificultam a contracepção, que deve ser de responsabilidade dupla do pai e da mãe.

Assim sendo, é necessário investir em novas e diferentes ferramentas de educação sexual dentro das escolas, priorizando o aprendizado que abrange os gêneros feminino e masculino. Cabe ao Ministério da Educação, juntamente ao Ministério da Saúde, realizar esta intervenção, através da reorganização do plano de ensino brasileiro. Dessa maneira, haverá redução da gravidez indesejada, e consequentemente de problemas como o aborto e a negligência infantil.