Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 15/10/2020
Segundo o artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é de responsabilidade do Estado e da sociedade. No entanto, nota-se que, no atual cenário de pandemia, esses agentes não estão atuando de maneira efetiva no Brasil, haja vista o alcance limitado e excludente das aulas online e a postura desinteressada dos alunos, o que prejudica o trabalho dos professores e agrava a situação díspar do país. Diante disso, a disparidade socioeconômica e a conduta displicente dos estudantes contribuem para a persistência da problemática.
É importante ressaltar, em primeiro plano, que a elevada desigualdade fortalece essa conjuntura. De acordo com o relatório divulgado em 2019 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Nesse sentido, constata-se que essa discrepância corrobora o fato de que muitos jovens são impossibilitados de acompanhar o ensino a distancia (EAD), uma vez que não possuem em suas residências a estrutura tecnológica necessária. Tendo isso em vista, após o término da quarentena, os educadores enfrentarão dificuldades ao ministrar as aulas devido à irregularidade educacional entre os discentes. Desse modo, é notório que os docentes não conseguirão equiparar o nível de conhecimento dos alunos, o que reforçará o quadro de extrema desigualdade entre os brasileiros.
Ademais, vale destacar a falta de dedicação dos indivíduos que possuem acesso ao EAD. Conforme Paulo Freire, filósofo e educador brasileiro, o modelo ideal de ensino é a “educação emancipadora”, que consiste na participação ativa do estudante na construção do conhecimento. Entretanto, observa-se que esse comportamento não é manifestado pelos discentes durante as aulas online, visto que eles, em sua maioria, não demonstram empenho. Dessa forma, o esforço dos educadores para oferecer um ensino de qualidade não é reconhecido, realidade essa que representa um desrespeito a essa classe trabalhadora primordial, porém extremamente desvalorizada no Brasil.
Portanto, é imprescindível a adoção de medidas a fim de mitigar o quadro atual. Para tanto, com o objetivo de democratizar a educação na pandemia, cabe ao Poder Executivo fornecer o aparato tecnológico aos estudantes de baixa renda, por meio de parceria público-privada com empresas da área de informática que receberão incentivos fiscais. Além disso, com a finalidade de conscientizar os alunos, o Governo Federal deve abordar a situação dos professores na quarentena, mediante campanhas educativas que conterá entrevistas com esses profissionais fundamentais. Assim, como é previsto na Constituição Federal, o Estado e a sociedade estimularão a educação.