Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 18/09/2020
A Constituição Federal de 1988 garante o direito à educação para todos os cidadãos. Entretanto, devido o cenário de pandemia, essa Benesse Constitucional não é cumprida integralmente, visto que muitos professores sofrem dificuldades em garantir um projeto pedagógico igualitário aos seus alunos. Essa problemática é fruto da falta de apoio estrutural aos alunos e educadores, além da negligência no auxílio familiar ao processo educacional.
A princípio, a Belle Époque promoveu mudanças tecnológicas revolucionárias. Entretanto, atualmente, essas transformações, muitas vezes, não acometem a todos os estudantes e professores que necessitam da tecnologia para o processo de ensino-aprendizagem durante a quarentena. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade dos domicílios brasileiros não possuem conexão estável à internet. Consequentemente, o processo pedagógico durante o isolamento social acaba promovendo um apartheid na educação.
Ademais, parafraseando Augusto Cury, bons pais ensinam seus filhos. Indo de encontro à perspectiva do autor, observa-se, frequentemente, famílias se excluindo do processo educacional de seus filhos, deixando a obrigação exclusivamente aos professores. Segundo a pesquisa Atitudes pela Educação, mais da metade dos pais do Brasil não se comprometem com a educação dos filhos. Assim, em razão da pandemia, esse cenário tende a se agravar, visto que as preocupações com consequências financeiras da quarentena aumentam a falta de comprometimento pedagógico familiar.
Portanto, a rotina profissional dos professores durante a pandemia é marcada por fragilidades. Para atenuar essa problemática, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, arroje medidas do Plano Nacional de Educação durante a pandemia, criando auxílios de inclusão digital para alunos sem conectividade a fim de garantir a permanência do ensino mesmo à distância. Além disso, as Secretarias de Educação devem incentivar a participação dos pais no processo de ensino-aprendizagem, criando campanhas publicitárias que destaquem a importância dessa interação. Talvez, dessa forma, seja possível garantir uma menor sobrecarga aos educadores e o direito civíl íntegro à educação.