Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 15/08/2020
O filósofo e educador Paulo Freire sintetiza em uma de suas frases que: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Contudo, a realidade da educação brasileira, durante a pandemia do Coronavírus, trouxe inúmeros desafios, principalmente para os professores, que precisam buscar metodologias e dinâmicas para passar o conteúdo de forma remota para os seus alunos, sendo que a grande maioria desses não possuem nem conexão de internet. Diante disso, torna-se clara a necessidade de ações do Estado que visem auxiliar os docentes e discentes nesse período, visto que não há perspectivas de volta as aulas em algumas regiões.
A priori, a pandemia do Covid-19 evidenciou a fragilidade do ensino público, isso porque a grande maioria dos alunos não possuem estruturas mínimas para estudar em suas residências. Segundo uma reportagem publicada no portal G1 de notícias, mais de 53% dos alunos de escolas públicas não possuem conexão de banda larga em suas casas, tampouco um computador, o que seria o básico para as vídeo-aulas nesse período. Tais fatos levam o professor a desafios complexos em busca de meios para amparar esse grupo de estudantes que é muitas vezes invisível para o sistema.
Outrossim, a falta de conhecimento tecnológico de muitos professores, e também, o desafio de encontrar ambientes adequados para as aulas remotas, tem agravado ainda mais essa problemática social. Dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação revelam que cerca de 56% dos professores dizem ter dificuldades relacionas a tecnologia, sendo esse o principal motivo de não ser aplicada em sala de aula, mas ressaltam que tiveram que se adaptar nesse momento de isolamento social.
Portanto, fica clara a necessidade de soluções para esse problema que desafia os professores. Para isso, o Ministério da Educação em conjunto com a Receita Federal, devem buscar a liberação de cargas de computadores, notebook e tablets apreendidos em fiscalizações aduaneiras, para que esses sejam doados aos alunos de baixa renda, além disso, o Ministério da Ciência e Tecnologia pode ampliar o programa social de internet gratuita para essa população, para que assim possam acompanhar as aulas-online durante esse período e até mesmo posteriormente com a volta das aulas presenciais. Somado a isso, as Secretarias de Educação precisam desenvolver treinamentos para os professores quanto a utilização e configurações dos dispositivos eletrônicos a serem utilizados nos ensinamentos remotos, sendo de extrema importância a disponibilidade de técnicos em informática que fiquem disponíveis para o apoio necessário. Somente assim será possível corrigir essa anomalia social.