Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 15/08/2020
Grandes epidemias geram transformações notáveis para a sociedade. Foi assim com a peste bubônica, que mudou a visão das pessoas na Idade Média e contribuiu decisivamente para ascensão do Renascimento, e tem sido assim com a Covid-19, a qual transformou a educação no mundo. Nesse sentido, devido à necessidade de isolamento social para combater o vírus, instalou-se o ensino a distância (EAD). Consequentemente, isso trouxe consideráveis desafios aos professores, que vão desde limitações técnicas a estigmas de gênero que dificultam a prática da docência fora da escola.
A princípio, é importante salientar que um dos obstáculos dos educadores reside no despreparo para lidar com tecnologias. A esse respeito, aponta-se que, além de possuir equipamentos para o EAD, como câmeras, aplicativos e plataformas on-line, é preciso dominá-los. Dessa forma, por não serem instruídos em sua formação e se manterem atrelados aos moldes de ensino tradicionais, os professores enfrentam dificuldades quando precisam se envolver com essas técnicas. Como prova, segundo um estudo feito pela USP, mais de 40% dos docentes disseram se sentir inseguros quanto à eficiência do aprendizado com as novas ferramentas. Depreende-se, então, a necessidade de modernizar as instituições para formar profissionais capazes de incluir a tecnologia nas estratégias pedagógicas.
Somado a isso, convém destacar que outro entrave diz respeito aos papéis de gênero ainda perpetrados Sob essa perspectiva, de acordo com dados da PNAD Contínua, as mulheres dedicam em média 20 horas semanais a serviços domésticos, enquanto os homens dedicam apenas 10 horas. Com base nisso e tendo em vista que, na quarentena, as pessoas estão mais em casa, a sobrecarga em cima das figuras femininas se acentua. Como resultado, isso atrapalha a concentração delas no exercício da profissão e prejudica a busca por novas estratégias didáticas que sejam eficientes no processo de aprendizagem. Logo, uma mudança nessa postura precisa ser feita para que professoras não fiquem sobrecarregadas e possam se dedicar às suas carreiras também trabalhando de casa.
Fica claro, portanto, que existem desafios enfrentados pelos educadores na quarentena. Por conta disso, o Ministério da Educação deve reformular os currículos de cursos de pedagogia. Isso pode ser feito por meio da exigência de disciplinas que mesclem métodos de ensino com uso de tecnologias da comunicação ministradas por técnicos de informática e pedagogos, com vistas a aperfeiçoar a formação de novos profissionais. Ademais, cabe à mídia produzir conteúdos que promovam a equidade de gênero, mediante a abordagem do tema em novelas e propagandas, a fim de diminuir o excesso de serviços associados à mulher e permitir que ela tenha tempo de se dedicar à profissão. Assim, as mudanças advindas da pandemia entrarão para a história da mesma forma que ocorreu no passado.