Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 16/08/2020
Capacitar para educar
O novo coronavírus, surgido na China em 2019, espalhou-se pelos continentes e, rapidamente, transformou o mundo. O alto poder de transmissão da Covid-19 e a falta de um tratamento eficaz contra a doença levaram escolas e universidades a fecharem as portas, aderindo ao isolamento social como forma de combate à pandemia. Nesse contexto, os professores se viram diante do desafio de implementar o ensino a distância (EaD), para garantir que os alunos não ficassem desassistidos durante a quarentena. Entretanto, esse processo tem apresentado grandes entraves, devido à falta de infraestrutura domiciliar e a deficiências na formação docente.
Antes de mais nada, é preciso ressaltar que 4,8 milhões de crianças e adolescentes no Brasil não têm acesso à internet em casa, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Não por acaso, diversas universidades públicas só retomaram o calendário acadêmico no período de pandemia após implementarem programas de inclusão digital. Diante dessa realidade, não causam surpresa os dados recentemente divulgados por uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), segundo a qual 85% dos professores do estado acreditam que os estudantes passaram a aprender menos na quarentena.
Outrossim, grande parte dos professores ainda não domina as novas tecnologias de ensino-aprendizagem. Isso se deve a uma lacuna na formação docente apontada pela pesquisa TIC 2016, de acordo com a qual 54% dos educadores não cursaram na graduação nenhum componente curricular voltado para o uso de ferramentas digitais. Tal falta de familiaridade com esse tipo de recurso se torna um desafio no contexto de isolamento social, em que as atividades didáticas passaram a ocorrer em ambiente online.
Torna-se evidente, portanto, que o momento exige uma ação governamental no sentido de viabilizar o trabalho do professor. Dessa forma, o Ministério da Educação deveria promover cursos de capacitação para habilitar os educadores a utilizarem as novas ferramentas. Isso seria possível por meio de uma parceria com os departamentos de tecnologia de informação das universidades, que estimulasse os servidores técnicos a desenvolverem esses cursos. Além disso, é preciso investir em programas de inclusão digital dos estudantes, de forma a garantir a todos os acesso à educação.