Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 17/08/2020

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade. No entanto, em tempos de quarentena a sociedade brasileira encontra-se com dificuldades de garantir educação de qualidade a todos, obrigação imposta pela Constituição Federal de 1988. Certamente, os principais desafios enfrentados pelos professores – na asseguração de tal direito – são: o desinteresse por parte dos alunos e a angústia gerada pelo medo de uma futura defasagem educacional.

É indubitável, nesse contexto, que haverá um atraso na educação causado pela quarentena e que isso gera uma grande apreensão nos professores. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Portanto, é notório ressaltar que as desigualdades do acesso à educação presente no período colonial – restrita a filhos de colonos e alguns índios aldeados – persistem atualmente. Visto que, parte da população não possui acesso à internet, é possível concluir que a pandemia acarretará uma defasagem, o que preocupa muitos profissionais da área da educação.

Ademais, cabe ressaltar que a falta de engajamento pela parte dos alunos dificulta o trabalho dos professores. De acordo com dados divulgados pela USP, 85% dos professores de São Paulo creem que os alunos estão aprendendo menos durante a pandemia, isto faz com que os professores busquem cada vez mais inovar sua didática, porém somente isso não está se mostrando suficiente. Com isso, faz-se necessário educar os alunos também para a necessidade de manter o interesse nos estudos mesmo vivenciando um momento difícil.

Em suma, são necessárias medidas que atenuem os desafios enfrentados pelos professores em tempos de quarentena. Portanto, cabe aos Estados entrarem com um requerimento para que seja criada uma lei garantindo que haja um novo ano escolar, com a finalidade de mitigar o atraso educacional. Outrossim, é necessário incentivar os alunos para de dedicarem aos estudos, para que isso ocorra, o MEC deve desenvolver palestras, a serem administradas por web conferências nas redes sociais, por meio de entrevistas com professores, com o objetivo de trazer lucidez sobre a problemática da falta de interesse pelos estudos. Assim, será possível diminuir os efeitos negativos causados pela quarentena e manter os direitos assegurados na Constituição Federal.