Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 17/08/2020

A ascensão da Indústria 4.0, no início do século XXI, revolucionou o paradigma tecnológico, o que fomentou um protagonismo das redes imateriais no âmbito das comunicações. Paralelamente ao contexto hodierno, marcado pela pandemia de Coronavírus (Covid-19), é nítido que a educação enfrenta diversas mudanças, devido à necessidade de adaptação às tecnologias digitais. No entanto, há desafios profissionais que afetam, sobretudo, os professores em tempos de isolamento social, ora por dificuldades psíquicas, ora pelas desigualdades socioeconômicas em território brasileiro.

A princípio, é imperativo elucidar que a instabilidade emocional dificulta o rendimento dos discentes e docentes, bem como a produtividade dos professores, em função da enfermidade de Covid-19. Segundo uma pesquisa, dirigida pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), houve um aumento de 80% em casos registrados de depressão, ansiedade e estresses contínuos na população brasileira. Dessa maneira, constata-se que esse quadro alarmante impacta negativamente no aprendizado, o que torna mister a existência de medidas paliativas do Governo e da sociedade para contornar esse panorama.

Outrossim, é lícito postular que as irregularidades socioeconômicas constituem um empecilho para a plena atuação dos professores na quarentena. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupa a segunda colocação mundial no que tange aos índices de concentração de renda. Tal fator prejudica o andamento das atividades educativas pela metodologia de Educação à Distância (EaD), haja vista a disparidade de condições materiais e infraestruturais entre diversas regiões brasileiras. Logo, é substancial a execução de ações governamentais para reverter essa conjuntura díspar.

Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de providências, para a superação dos obstáculos que os professores enfrentam em tempos de quarentena. Portanto, cabe ao Governo Federal, mediante parcerias público-privadas, financiar projetos de distribuição de aparelhos tecnológicos e auxílio financeiro para populações carentes, em troca de redução da carga tributária às empresas colaboradoras, a fim de reduzir a discrepância no setor educacional e econômico. Ademais, compete ao Ministério da Saúde investir, por meio de verbas públicas, na realização de palestras e campanhas sobre distúrbios psíquicos em aulas universitárias e escolares, com o fito de conscientizar as pessoas acerca da importância de uma saúde mental equilibrada. Assim, o Poder Público e a sociedade civil lidarão de modo mais promissor com as circunstâncias em voga.