Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 17/08/2020

No filme “Escritores da Liberdade”, a professora recém formada Erin Gruwell, encontra dificuldades com seus novos alunos desobedientes e, infelizmente, sem conhecimentos básicos. O filme retrata a vida de jovens que estudam em uma escola estadual sem oportunidades, e com a chegada da professora, os alunos começam a desenvolver suas habilidades. Infelizmente, essa situação não se resume às telas, sendo a realidade de vários alunos e professores. Com isso, juntamente à pandemia, os desafios, principalmente dos professores, se agravam.

“É uma situação tensa, pois meu trabalho diário envolve rodas de conversa, momentos de contar histórias e cantar músicas, atividades de artes, ciências, jogos e brincadeiras presencialmente” diz a professora da rede pública da capital paulista, Márcia Sebastião. Há seis meses o mundo se encontra diante de uma pandemia, onde alguns estudantes tem o privilégio de possuir o EAD ( ensino à distância), e mesmo o tendo, poucos estão aprendendo. Em um documentário do jornal SPTV- Globo, jovens que estudam em escolas públicas e possuem o sonho de serem profissionais bons, contam como estão vivendo esses período. Dois estudantes que deram a entrevista não possuem aparelhos eletrônicos e internet, portanto não conseguem estudar há seis meses.

Em uma pesquisa realizada pela USP, 85% dos professores de São Paulo acreditam que os estudantes aprendem menos na pandemia. Além da desigualdade social que faz com que este número se agrave, deve-se lembrar dos problemas psicológicos atribuídos em meio à pandemia. Professores e alunos passam por um momento de incerteza, incerteza de quando tudo isso irá passar, de quando as aulas iram voltar etc. É notório o desespero de alunos e professores tendo em vista o cenário mundial, professores mais velhos entrando em um mundo tecnológico onde é muito difícil manter a atenção do aluno e controlar sua aula; alunos com pressão dos vestibulares e vendo que estão tendo um ano perdido, principalmente alunos de escolas públicas.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Cultura, em conjunto com o Ministério da Economia, deve propor, durante a pandemia, um projeto onde alunos e professores que não possuam aparelhos eletrônicos e internet, os consigam. Tal projeto irá disponibilizar aparelhos eletrônicos aos que não possuem e possuam renda igual ou abaixo de dois salários mínimos e deverá garantir aos portadores que isto funcione e que não tenha preço, portanto um projeto gratuito. Com esta ação, espera-se que a desigualdade social diminua e que todos consigam ter acesso às aulas online.