Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 17/08/2020

Segundo o filósofo e educador brasileiro Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Logo, fica evidente que, no mundo contemporâneo, dotado de desafios que impõem reflexões e atitudes à sociedade, a fragilização do ensino escolar piora de forma indubitável a situação, visto que, seria extinguida a perspectiva de mudança citada pelo educador. No contexto pandêmico atual, a dificuldade de acesso às aulas, fatores emocionais e pessoais desestabilizam o ensino, sendo necessária uma discussão acerca dos mesmos.

Na série “Segunda Chamada”, transmitida pela Rede Globo, é retratado o drama de estudantes, das classes menos favorecidas, que veêm na escola e no amor dos professores a única perspectiva de mudarem suas vidas. Sem o contato presencial e o suporte escolar com refeições, ambiente propício à concentração para aprendizagem e incentivos dos docentes, alunos como esses, principalmente da rede pública de ensino, deixariam de estudar, dificultando o cumprimento do trabalho do professor, visto que todos os envolvidos devem ter acesso ao bem-estar físico e mental.

Outrossim, além da preocupação com os discentes assolar a mente dos profissionais, problemas em suas próprias casas somam um impasse ao ensino na quarentena. Muitos dos professores passam a ter suas vidas pessoais misturadas com o trabalho, já que dar aulas, cuidar da casa, dos filhos e outras atividades são feitas no mesmo local ou até simultaneamente, em virtude da mudança de horários em sua rotina, que pode torná-la mais desgastante, desencadeando quadros de exaustão, mal humor, ansiedade, entre outros; rompendo com a harmonia vigente na “vida normal”.

Logo, desigualdades sociais, aspectos emocionais e pessoais são óbices ao bom desempenho docente na quarentena. Diante do exposto, é mister que o Ministério da Educação com o apoio do SUS, por meio de verbas estatais, garanta atendimentos online e gratuitos aos professores do país com psicólogos da rede pública, a fim de aliviar os estresses diários e melhorar a qualidade de vida. Ademais, urge que empresas privadas de tecnologia façam ações sociais levando computadores e celulares para jovens e crianças das principais áreas carentes de cada estado brasileiro, de modo que os professores tenham alunos para dar aula e possam manter contato com os mesmos. Dessa forma, espera-se amenizar os impactos da pandemia na vida dos profissionais docentes.