Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 18/08/2020
O Brasil se encontra isolado socialmente e, assim como o mundo, economicamente instável devido à crise de recessão. Com o advento do Sars-CoV-2 (Coronavírus), agente infeccioso causador da Covid-19, as mortes causadas pelo crescimento da curva epidemiológica - que projeta a capacidade de atendimento relativa a de infectados - continua em crescimento. Consoante, a tecnologia, segundo Steve Jobs, atua como motor do mundo, evitando o contato e permitindo o trabalho em casa. Contudo toda nova tecnologia, segundo Pierre Lévy, tende a gerar seus excluídos que, modernamente, estão refletidos na inefetividade da educação virtual. Dessa forma, é notável que, não apenas o Coronavírus, mas o desinteresse Estatal sucateia o sistema educacional brasileiro, sendo a superação desse mesmo o principal desafio dos professores em meio a quarentena.
Primeiramente, observa-se o necessário isolamento social como catalisador do avanço tecnológico. Isso, uma vez que, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com segundo maior número de infectados e mais de 100 mil mortos pela doença. Assim, em meio a tal crescimento, nota-se a valorização do mercado de hardwares (equipamentos de computador) e cadeiras, principais ferramentas utilizadas no trabalho e estudo em casa indicado pelas empresas e escolas, o que evidencia o vírus como constitutivo na introdução tecnológica rápida nessas atividades.
Paralelamente, é notório o desinteresse governamental no investimento para o trabalho e estudo efetivo no lar, tendo em vista que, apesar dos altos investimentos brasileiros em softwares, esses mesmos investimentos não são direcionados à educação, já que, de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1 em cada 4 brasileiros não tem acesso à internet. Tal inefetividade é refletida como mais um desafio para o professor já debilitado pela quarentena, resultando, também, em uma visão antidemocrática da educação, que é relativa a quem pode recorrer à tecnologia.
Portanto, é visível que o sucateamento do ensino brasileiro, decorrente da falta de investimentos Estatais, auxilia o desrespeito à quarentena, gerando, além da falha educativa, o aumento dos casos de Coronavírus. Destarte, é essencial que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações - como órgão responsável pela manipulação informativa brasileira, em parceria com o Ministério da Educação - órgão responsável pelo direcionamento da verba e gestão geral da educação nacional, realize a modernização dos métodos de estudo, por meio da promoção de políticas públicas em prol da informação e subsídios, cedendo as ferramentas e conhecimento necessário para o trabalho dos professores e permitindo o estudo dos alunos, para que haja superação do desafio antidemocrático, a fim de que a tecnologia continue movendo o mundo, mas amenizando a exclusão dita por Lévy.