Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 19/08/2020
Na primeira metade do século XX, o físico Einstein enunciou a frase: “tornou-se aterradoramente claro que a nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade”. Hodiernamente, mais do que nunca, essa frase é real, talvez não pela falta de humanidade, mas pela importância inabalável da tecnologia de comunicação em tempos de quarentena. Dessa maneira, evidenciam-se diversos desafios para os educadores: como a dificuldade de cativar o aluno à distância e o sepultamento da rotina estudantil, tanto pra professores, quanto para alunos.
Nesse sentido, a inexistência de contato interpessoal preocupante, haja vista que muitos professores, sobretudo de exatas, dependiam de recursos expressivos para cativar os alunos. No livro Tosco, de Gilberto Mattje, o personagem principal é cativado pelo professor, que consegue influenciar o jovem por meio de sua presença real. Sob essa ótica, a quarentena anula o principal instrumento escolar de inserção, o carinho entre pessoas. Dessa forma, o educador muitas vezes não consegue cumprir seus objetivos de ensino, sobretudo devido à relação frágil com o estudante.
Não obstante, é necessário analisar a quebra de hábitos angulares como a principal causa do enfraquecimento educacional na quarentena. Sob esse prisma, como defende Charles Duhigg, em O Poder do Hábito, todos nós possuímos hábitos que são centrais e esses são responsáveis por gerar uma cadeia benéfica de hábitos. Assim, a troca de um hábito angular positivo por um hábito negativo, como assistir TV demais, ou navegar em redes sociais, pode gerar um looping de hábito ruim. Nesse sentido tanto professores, quanto alunos, sofrem com problemas disciplinares, haja vista que a rotina escolar já não existe sem iniciativa própria.
São necessárias, portanto, medidas que visem dirimir o problema central da educação brasileira na pandemia: o distanciamento. Cabe ao Ministério da Educação, em consonância com as secretarias de educação de cada estado, criarem cursos práticos de mudança de hábitos, atendendo professores individualmente, para que esses possam atender os alunos posteriormente. Já são feitas diversas palestras, mas é necessário que haja maior contato pessoal. Ainda, para que essa medida não seja utópica, é necessário que as escolas, sob orientação das secretarias, criem cronogramas quinzenais de postagem, liberando professores e alunos para esse momento de buscar produtividade.