Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 22/08/2020

Em 2020, devido à pandemia do coronavírus, novas regras de convivência foram impostas: o uso de máscaras se tornou obrigatório, estabelecimentos foram fechados e alunos foram mandados para casa sem previsão de retorno. Assim, as formas de ensino precisaram ser reinventadas, as tecnologias digitais passaram a ser ainda mais valorizadas e os professores foram um dos grupos mais afetados por esse novo cenário. Nesse sentido, apesar da maioria dos pedagogos terem contato com as formas de comunicação diversas, dominar novas ferramentas e metodologias para adaptar as aulas a um novo formato representa uma grande dificuldade para eles. Com efeito, evidencia-se a necessidade de medidas urgentes que tornem esse processo de transição mais saudável.

Nesse aspecto, esses profissionais receberam formação universitária limitada e focada apenas em uma educação presencial e, por isso, a maior parte deles não está devidamente preparada para lidar com o ensino remoto e não possuem conhecimento necessário para preparar e apresentar as aulas online. Além disso, nem todos os docentes, sejam estes do ensino público ou privado, têm acesso aos aparatos tecnológicos essenciais para ministração de todo conteúdo que precisa ser repassado em forma de aulas ao vivo ou vídeos postados, por exemplo.

Dessa forma, segundo o filósofo Byung Chul Han, em sua obra Sociedade do Cansaço, os indivíduos têm vivido sob intensa cobrança por alto desempenho familiar, social, escolar e laboral, tendendo a sucumbir. No que diz respeito aos educadores, em tempos de quarentena, a pressão se torna ainda maior, visto que agora são obrigados a lecionar de forma completamente diferente do que estavam acostumados. Por consequência, conforme pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, que contou com cerca de 19 mil professores, aproximadamente 48% deles afirma estar lidando com demasiada ansiedade, insegurança e estresse por causa do novo método educacional.

Portanto, com vistas a garantir um aprendizado de qualidade aos alunos, mesmo em tempos de isolamento social, o Ministério da Educação deve assegurar que todos os profissionais da área tenham acesso aos equipamentos tecnológicos essenciais, como computador e internet, mediante concessão de auxílio financeiro aos necessitados. Para mais, deve disponibilizar aulas preparatórias, que sejam simples e objetivas, através de mídias sociais diversas, como televisão e rádio, para que tenham condições de continuar a ministrar boas aulas. Ademais, o Ministério da Saúde deve garantir atendimento psicológico especializado aos profissionais da área que carecerem de ajuda, por meio de consultas telefônicas ou online, por exemplo, com o objetivo de garantir que todos se mantenham saudáveis e firmes para seguir em frente.