Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 24/08/2020
Com o surgimento do Covid-19, as aulas presenciais foram substituídas por ensino à distância (EAD). Consequentemente, os alunos estão aprendendo menos, segundo 85% dos educadores de SP, participantes de um estudo do programa USP Cidades Globais. Isso está acontecendo, entre diversos motivos, pela desigualdade social, que influencia na inclusão digital e na estrutura física e familiar nos lares dos estudantes.
Mesmo antes da pandemia, já existia desigualdade social, mas com a quarentena, ela se tornou um desafio ainda maior para os professores. Isso porque, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 25% dos brasileiros não tem acesso à internet. Dessa maneira, é impossível para um quarto dos estudantes acompanharem as aulas online, sem contar aqueles que têm uma conexão fraca para assistir vídeos chamadas. Assim, um grande desafio é a exclusão digital.
Porém, mesmo os estudantes que possuem boa internet ainda enfrentam problemas para estudar, como a falta de estrutura. Nesse contexto, muitos alunos não possuem um lugar calmo para estudar, porque não têm mesas; ou precisam dividir o quarto com outras pessoas, que inevitavelmente irão conversar. Em vista disso, os discentes ficarão mais distraídos ou desmotivados, o que influenciará no trabalho dos docentes. Assim, outro desafio, oriundo da desigualdade social, é a falta de estrutura.
Portanto, o principal problema dos professores nessa quarentena é a própria desigualdade social. Para contorná-la, os professores podem fazer, além das chamadas de vídeo, ligações para telefones dos alunos que não têm internet, mas têm os aparelhos, nos horários das aulas, com o objetivo de tornar o ensino mais acessível. Nessa lógica, o Ministério da Educação (MEC) pagaria pelas ligações. Além disso, o MEC pode organizar campanhas de arrecadação de celulares, para doar para os alunos que não têm. Para tanto, pode fazer a divulgação pelas redes sociais e a entrega dos aparelhos pelos Correios. Dessa forma, essas medidas urgentes podem diminuir a desigualdade social, temporariamente.