Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 30/08/2020

A série “Segunda Chamada”, exibida pela transmissora brasileira “Globo”, apresenta a luta cotidiana dos professores do EJA e as dificuldades enfrentadas pelos alunos em busca de uma vida melhor com os estudos, tendo em vista os empecilhos sociais e econômicos de cada um. Percebe-se, não distante da realidade brasileira, a desigualdade do acesso às aulas de estudantes do ensino público dos indivíduos das classes mais baixas, como um dos desafios dos professores em tempos de quarentena, o que afeta diretamente na defasagem de um ensino igualitário. Nesse sentido, convém analisar a causa, consequência e possível medida acerca do impasse.

Nesse contexto, a escassez de infraestrutura das aulas à distância , devido à ausência da internet em espaços públicos e a dificuldade do aprendizado dos alunos, representam um dos motivadores fundamentais para adversidade dos discente na pandemia. De acordo com uma pesquisa da USP, 85% dos professores de São Paulo acreditam que estudantes estão aprendendo menos na pandemia. Diante desse contexto, tal situação demonstra um obstáculo, o qual muitos docentes estão enfrentando no processo de aprendizagem.

Em detrimento dessa questão, segundo o sociólogo pós-estruturalista Stuart Hall, o indivíduo contemporâneo é dotado de múltiplas identidades. Atrelada ao ideário do autor, o impacto da pandemia na saúde mental da classe trabalhadora tem sido extremamente preocupante, tendo em vista o desgaste físico e psicológico do educador em questão. Desse modo, há mais força de trabalho e pouca valorização da mais-valia do proletariado, consequência da desorganização e a supressão de investimentos do Estado. É, pois, inadmissível que, em um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos como o Brasil, os direitos dos cidadãos sejam afrontados de forma tão flagrante sem devida reação do Poder Público.

Depreende-se, portanto, a relevância e o conhecimento dos desafios apresentados pelos professores na quarentena. Nesse sentido, o Ministério da Educação junto com as Secretárias de cada município deve fornecer chips com internet para alunos de escolas públicas afetados pela pandemia, com o intuito de facilitar o ensino remoto. Além disso, o Governo Federal deve investir em parceria com a Organização Mundial da Saúde, em psicopedagogos por meio de reuniões on-line para alunos e professores com o intuito da melhoria da saúde mental dos mesmos. Espera-se, com isso, uma educação mais inclusiva e a superação de uma das adversidades da desigualdade social, assim como é retratada na série “Segunda Chamada”.