Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 31/08/2020
Em ‘‘Armas, Germes e Aço’’, o escritor Jared Diamond elucida que tais elementos são responsáveis na modificação na estrutura da sociedade. A pandemia atual, por sua vez, ocasionado pelo novo coronavírus, tem transformado a realidade da educação, dado que o isolamento social, medida recomendada pelas organizações de saúde, preconiza que as aulas não sejam presenciais, como outrora. Nesse sentido, é de suma importância analisar os desafios dos professores em tempos de pandemia. Desse modo, percebe-se não só o emblema da exclusão digital, mas também a falta de efetivação, no tecido social, das garantias constitucionais.
A princípio, o pedagogo Paulo Freire argumentou sobre a necessidade de ler o mundo do indivíduo, com o fito de o sistema educacional tornar-se um agente de transformação social. No entanto, o modelo adotado pelas escolas, ainda, não consegue dirimir a desigualdade sócio-econômica. Tanto que o IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- ratifica tal ambiente, a partir do momento, que demonstra o seguinte dado: um em cada quatro brasileiros, em 2017, não possuía acesso à internet. Nessa perspectiva, entende-se que muitos estudantes não possuem computadores conectados via rede e, portanto, inviabiliza o processo pedagógico, de forma plena, das aulas virtuais. Dessa maneira, os professores possuem o desafio de lecionar, mediante internet, em um contexto de exclusão digital.
Outrossim, a Constituição Cidadã explicita que é dever do Estado garantir educação para todos. No entanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se pela falta do desenvolvimento de políticas públicas, nas reuniões parlamentares, objetivando a capacitação dos professores na atual conjuntura. Nessa lógica, o paralelo entre os dispositivos constitucionais e o cenário exposto ecoa o ‘‘Enigma da Modernidade’’, do filósofo Henrique de Lima, o qual elucida que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, verifica-se que a dissonância entre a Carta Magna e a narrativa factual é um desafio que precisa ser vencido.
Logo, é fundamental que o Poder executivo, por meio de verbas governamentais, realize ações sociais que venham a destinar computadores conectados à rede para estudantes carentes, a fim de que tenham acesso às aulas virtuais. Para tanto, é salutar um mapeamento logístico que identifique tais alunos. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas publicitárias, com depoimentos de cientistas sociais, que expliquem a importância de o Estado realizar políticas públicas para auxiliar o corpo docente, nesse período, com o intuito de que a Carta Magna seja efetivada. Dessa forma, resolver-se-ão os desafios dos professores na quarentena.