Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 02/09/2020

Ao longo da historiografia humana, o modo como a sociedade se organizou, determinou o modelo como o ensino se estruturou. Como se observa, que na Idade Média, a filosofia escolástica buscou conciliar a fé com a razão, enquanto na estrutura patriarcal escravocrata brasileira, a educação era restrita à aristocracia do sexo masculino. Desse modo, diante do atual cenário de isolamento social decorrente da pandemia, nota-se que o ensino, consequentemente, precisou se adequar com esse novo contexto. Assim, compreende-se os desafios que os professores possuem ante esse quadro, os quais perpassam pela omissão do governo, em que tal postura reflete o avanço do Estado Mínimo.

Em primeiro lugar, conforme o filósofo Henrique de Lima, a sociedade se assenta no enigma de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éti-cas. Sob tal prisma, é que se analisa o contexto contraditório entre o que exposto pela Constituição Cidadã em relação ao dever do Estado em ofertar subsídios para aos profissionais da educação no exercício do seu trabalho, e a realidade da atuação desse órgão. Prova disso é que no contexto da pandemia, percebe-se a escassez de políticas públicas no auxilio aos professores. Consoante a isso, a omissão do Estado permitiu uma sobrecarga e um desgaste emocional a esses profissionais, pois cabe a esses, por exemplo, não só a realização dos projetos das aulas, mas também gravá-las.

Ademais, essa conjuntura representa o avanço da atuação do Estado Mínimo no país. Seguindo essa linha de pensamento, o geógrafo Milton Santos argumentou que tal estrutura governamental é fruto de uma globalização perversa, uma vez que essa busca o encolhimento da atuação do Estado com intuito de privilegiar a economia de mercado. Nessa perspectiva, compreende-se o posicionamento do governo brasileiro ante a falta de suporte aos professores durante a quarentena, haja vista que a sua visão univoca em preservar tal modelo de economia, impossibilita um ambiente propício ao desenvolvimento das diversas áreas sociais presentes na nação.

Logo, é mister que o Estado mude a sua postura. Para tanto, cabe a esse órgão, mediante repasse de verbas, fomentar políticas públicas, a fim de promover subsídios aos profissionais da educação em tempos de isolamento social. Nesse viés, as prefeituras em parceria com as mídias locais, como rádio e canal televisivo, ofertarão tais locais para que os professores da educação possam lecionar suas aulas, com objetivo de não sobrecarregar esses profissionais. Além disso, que governo realize de forma gratuita consultas onlines com psicólogos destinadas aos educadores, com o propósito de auxilia-los com desgastes emocionais oriundos desse período. Assim, tal postura além de coibir o avanço do Estado Mínimo, estrutura de forma saudável a sociedade para esse novo momento.