Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 02/09/2020

‘‘Quando a educação não é libertadora o sonho do oprimido é se tornar opressor.’’ Essa afirmação de Paulo Freire pode ser interpretada como um alerta ao panorama atual educacional brasileiro. Visto que uma lógica mercadológica subverteu a função da escola e transformou um ambiente que deveria ser humanizador em conteudista e autoritário, situação q foi agravada pelo ensino remoto. Dois fatores se destacam para este agravamento: a impessoalidade trazida pela distância física e um panorama de descrença dos professores com o comprometimento dos alunos.

Nesta situação, somam-se a inversão de valores da escola com a impessoalidade causa pela atividade remota e causa-se um ensino sistematicamente frio. Tal ensino faz um ciclo em que a falta de interação do aluno produz um acompanhamento nulo do professor no desenvolvimento do mesmo, que retroalimente esse distanciamento humano na atividade pedagógica. Então, a mesma se mantém presa aos seus formalismos e assim cobra os alunos da única forma que lhe é familiar, o bombardeio conteudista de informações e testes.

Além disso, há também um panorama geral de descrença dos professores sobre o comprometimento dos estudantes. Visto que, professores foram moldados socialmente, muitas vezes, para acreditar que apenas uma educação rígida seria produtiva. Logo, longe de seus olhos vigilantes e das medidas autoritárias e punitivas das escolas, como advertências e suspensões, para eles os alunos não se empenharão. Assim como, para Hobbes sem um Estado não haveria ordem e o caos completo seria instaurado.

Dessa forma, é inegável a necessidade de uma ação do ministério da educação que ofereça curso pedagógicos capacitantes aos educadores, que abordem não só o domínio das ferramentas necessárias para o ensino remoto mas também um processo para uma reumanização do ensino. Além disso, as escolas poderiam utilizar plataformas para recolhimento de informações dos alunos sobre suas perspectivas de aprendizado. Desse modo, facilitando um acompanhamento pedagógico destes. Só assim, talvez, nos aproximaremos de uma educação mais libertadora no pós pandemia.