Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 10/09/2020
Na teoria, em um mundo globalizado, as relações sociais seriam facilmente preenchidas em sua totalidade – principalmente nos estudos -, com o uso da tecnologia. Entretanto, a prática é utópica e impossível, já que até mesmo os professores sofrem com a problemática, seja a partir do desinteresse estudantil com a prática do ensino à distância (EAD), ou suas vertentes, como a dificuldade da difusão da nova modalidade de ensino. Dessa forma, torna-se conveniente analisar os fatos que tornam esse tema uma pauta relevante na contemporaneidade.
Nesse sentido, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, a Modernidade Líquida satisfaz e se sobrepõe diante das obrigações dos jovens – uma vez que compreende a fugacidade das coisas, principalmente através do meio técnico-científico-informacional, com jogos, redes sociais, entre tantas coisas. Isto é, os professores, lecionando em casa, sentem dificuldades de ensinar para os adolescentes o que é importante – conteúdos pragmáticos escolares -, pois diante da atual situação pandêmica, se torna cada vez mais difícil ter controle do que o aluno pode ou não fazer em um ambiente de sala de aula on-line.
Além disso, segundo o sociólogo Michel Foucault, o modelo Panóptico se aplica ao aluno, onde a vigilância se torna uma base para que se tenha disciplina, sem precisar punir, criando jovens obedientes. Porém, segundo o mesmo, o ‘’terceiro olho’’ – metáfora que remete à visão periférica aguçada dos professores – em período de quarentena, está cada vez mais obsolescente, porque segundo pesquisas da Universidade de São Paulo, valores próximos à 85% remetem na crença de que os alunos aprendem menos com o EAD (uma vez que esse conflito é causado pelo desinteresse). Nesse contexto, o cenário pedagógico atual está estruturado a partir da confiança de que o aluno está realmente entendendo os conteúdos – visto que a forma com que as avaliações são aplicadas, na maioria das instituições de ensino, mudaram.
Portanto, a fim de amenizar os desafios dos professores em período de quarentena, medidas devem ser tomadas. Para tanto, é mister que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, juntamente com suas secretarias midiáticas – reconhecidos como as maiores instâncias administrativas no que tange, nesse contexto, à difusão de ideias – realize, por meio de apresentações com cunho informativo, em escolas e faculdades públicas, bem como no investimento em uma massiva notificação televisiva – propagandas -, uma tarefa importante: alertar aos jovens da importância de, mesmo em dificuldades, estudar; para que adolescentes mais maduros facilitem a nova inserção de professores na ministração de aulas virtuais. Feito isso, jovens mais empenhados e servis irão reduzir a problemática.