Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 28/09/2020

Conhecida como “Cidadã”, por ter sido concebida no processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada, em 1988, com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que os desafios enfrentados pelos professores no contexto da pandemia configura-se como uma falha no princípio da isonomia. Sendo assim, percebe-se que os obstáculos possuem raízes amargas no país, devido não só ao escasso preparo, principalmente tecnológico, dos professores, mas também à falta de sensibilização do Governo e da sociedade sob a nova rotina dos docentes.

Como supracitado, a ausência de qualificação e organização fornecida aos professores para que sejam capazes de lidar com uma situação inusitada, além da tecnologia, intensifica as dificuldades para o ensino na pandemia. Conforme o Ministério das Comunicações, quase 50% dos educadores não apresentam uma internet suficiente para realizar as atividades. Além disso, segundo a Federação Nacional dos Professores, quase 15% dos mesmos estão acima de 60 anos. Nessa conjuntura, fica visível como o ensino durante o isolamento social apenas piora, uma vez que, informado pelo G1, até agosto, 42% dos docentes não apresentavam nenhum treinamento. Assim, exigir um melhor desempenho torna-se ilógico quando o básico não é oferecido.

Outrossim, é indispensável ressaltar o fato da aula estar inserida totalmente na vida pessoal do professor. Após o início do isolamento, diversas circunstâncias tornaram-se realidade das aulas remotas – as quais são realizadas ao vivo e não gravadas (aulas EAD)-, como a interferência ou emergência com filhos e dependentes dos mentores, campainha, telefone ou até mesmo uma queda de energia, por exemplo. Com esses eventos imprevisíveis, o estresse, insegurança e trabalho dobrado desencadeou em 95% dos professores com sentimentos e sensações de mal-estar, conforme a Universidade de Yale, o que pode gerar problemas de saúde a longo prazo, tal qual doenças cardiovasculares ou psicológicas, em maior quantidade.

Neste sentido, medidas são necessárias para amenizar o impasse. Todavia, não haverá melhoras caso o  Ministério da Educação deve fornecer a integralização da rotina dos docentes aos meios tecnológicos, por meio de palestras e cursos, para que os mesmos possam gerenciar a modernidade com mais facilidade. Ademais, o Governo, juntamente do Ministério da Saúde, precisa oferecer ajuda médica e informação à população, mediante a consultas e avisos nacionais, para que os educadores não apresentem problemas futuramente, além de comunicar os familiares sobre as dificuldades enfrentadas. Somente dessa forma a educação na pandemia terá uma passagem mais leve.