Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 22/09/2020
A Revolução-Técnico-Científico-Informacional representou avanços na sociedade contemporânea, pois possibilitou um fluxo maior de informações, serviços e pessoas pelo mundo, algo intensificado pelas necessidades da manutenção de esferas essenciais na pandemia do coronavírus, como a educação. Esse cenário exigiu de vários profissionais a adaptação adequada dos novos modelos on-line de trabalho, configurando desafios aos professores nos tempos de quarentena, principalmente no Brasil, onde a educação ainda é precária e carece de recursos públicos. Assim, é necessário o debate e a implementação de medidas para lidar com as problemáticas, como o despreparo dos docentes para utilização dos diversos meios virtuais e a sobrecarga psicológica da somatização de responsabilidades.
Em primeiro plano, o distanciamento social forçado massificou as novas formas de aprendizado a distância, antes uma realidade presente em poucos locais, a exemplo de escolas no Pará e Amazonas. Antes da pandemia, essas já haviam implantado a aula remota em parte da carga horária por conta das distâncias e dificuldades logísticas de alunos e professores, haja vista a urbanização ainda lenta desses estados. Nesse sentido, esse modelo sofreu alterações para atender demandas de sincronia e interação com os estudantes, cabendo aos educadores possibilitarem esses fatores, muitos sem capacitação para lidar com as dificuldades inerentes a esse formato digital.
Em segundo plano, o isolamento domiciliar propiciou a população em geral a ociosidade e o impedimento da realização de diversas atividades. Nessa perspectiva, o surgimento e a frequência de problemas como a ansiedade e a depressão aumentam, afetando professores, que além de lidar com as mesmas dificuldades pessoais de outros profissionais, também precisam buscar formas de agregar recursos para desenvolver o novo modelo vigente de aula. Essa situação se relaciona com o ócio criativo de Marx, pois o indivíduo poderia utilizar o tempo disponível para se desenvolver culturalmente e fortalecer os laços pessoais, mas vêem sua saúde mental afetada pelo excesso de afazeres laborais.
Portanto, são necessárias ações para atenuar a problemática profissional e também possibilitar a preservação da saúde psicológica desses trabalhadores. Assim, cabe as Secretarias de Educação buscarem maneiras de adaptar seus profissionais a esse novo cenário, a exemplo de cursos tecnológicos com especialistas de informática e a disponibilização de aparelhos, com foco nas escolas públicas. Ademais, é dever das Secretarias de Saúde cuidarem da saúde mental dos professores, com consultas psicológicas e psiquiátricas presenciais e a distância, fazendo o mapeamento de demandas, como férias e folgas, para auxiliar a produtividade dos mesmos. Com isso, o Brasil terá profissionais capacitados para lidarem com as dificuldades impostas pelo delicado momento internacional.