Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 22/09/2020

De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é permeada pela fluidez, efemeridade e pelo individualismo dos indivíduos, configurando-se uma “modernidade líquida” pautada na incerteza do futuro e angústia devido à ausência de estabilidade o que resulta, em muitos casos, na incapacidade de agir ou paralisia da ação. Dessa forma, no contexto da pandemia do covid-19 diversos âmbitos da sociedade tiveram de se adaptar perante a crise sanitária vigente, em especial o educacional, no qual principalmente os professores atravessam desafios pautados na falta de preparo e conhecimento com as novas tecnologias necessárias quanto no desinteresse e psicológico dos alunos.

Com o advento da terceira fase da Revolução Industrial houveram grandes avanços no meio informacional e nas tecnologias de comunicação, o que proporcionou uma melhor adaptação dos profissionais a conjuntura de crise que permeia a sociedade. Entretanto, mesmo com recursos que facilitem a manutenção do ritmo de trabalho e produtividade no âmbito escolar por meio de aulas a distância, as instituições não proporcionaram tempo e qualidade de qualificação e especialização dos profissionais da educação com as novas ferramentas, além das dificuldades técnicas que esses indivíduos contemplam circunstancialmente.

Além disso, o psicológico dos discentes é outro fator que se configura como um dos principais desafios dos professores para manter a qualidade de aprendizagem, visto que o meio em que estão inseridos possui diversas distrações e mecanismos para burlar as verificações efetivas de conhecimento dos alunos. Dessa forma, Bauman apresenta um pensamento que condiz com essa realidade de crise, no qual o indivíduo permeado por incertezas futuras e instabilidade se encontra incapaz de agir e assumir certas responsabilidades, levando a angústia em que a única certeza é a mudança e a única coisa permanente é a incerteza. Dessa forma, os jovens se encontram em fuga das responsabilidades educacionais e psicologicamente abatidos pelo peso da improdutividade.

Portanto, o Governo Federal neste contexto de crise sanitária deve, por meio do Ministério da Educação, criar políticas de especialização e qualificação tecnológica aos docentes para melhor adaptação destes ao mercado e fornecer a infraestrutura necessária para esses possuírem o acesso aos recursos. Além disso, o Ministério deve incentivar as escolas a realizar atividades que influenciem a ética dos alunos para evitar que se auto-sabotem, e também fornecer ajuda profissional aos indivíduos que se encontram com dificuldades emocionais.