Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 23/10/2020
Consoante o empresário americano Thomas Edison, a insatisfação assume caráter primordial à efetiva evolução humana. Sob essa perspectiva, a sociedade brasileira, hodiernamente, apresenta descontentamento frente ao diagnóstico insatisfatório da educação a distância vigente no período da quarentena e, portanto, objetiva alterações em tal conjuntura. Contudo, além do despreparo dos docentes, a dificuldade no despertar do interesse e engajamento dos estudantes fomenta a permanência da problemática, o que inviabiliza o real progresso da nação tupiniquim contemporânea.
Destarte, pontua-se que, com o advento da denominada Revolução Industrial e suas consequentes inovações tecnocientíficas, o Brasil modernizou-se, bem como o máximo desenvolvimento racional foi atingido. No entanto, mesmo diante do avanço intelectual vivenciado, significativa parcela dos educadores brasileiros mostra-se desconfortável com as novas ferramentas de ensino. Tal cenário reverbera o despreparo dos docentes que, embora estejam em constante contato com a “esfera” digital, ainda apresentam limitações quanto ao uso desse aparato no âmbito educativo. Assim sendo, evidencia-se a lógica ainda conservadora do processo educacional canarinho, predominantemente limitado ao ambiente físico da escola, que, aliado ao despreparo dos professores no âmbito operacional dos aparelhos tecnológicos, prejudica a aprendizagem dos estudantes na quarentena.
Outrossim, dentre os impasses à aprendizagem no período do isolamento social, é focalizada a dificuldade do professor quanto ao envolvimento do discente durante o processo educativo. Dessa forma, reitera-se a teoria da Educação Bancária, idealizada pelo pedagogo pernambucano Paulo Freire, visto que a metodologia educacional, vigorante na contemporaneidade brasileira, fundamenta-se na simples deposição de conhecimentos no aluno. Nessa perspectiva, não há o engajamento do estudante e o estímulo à autonomia pensante é negligenciado, assim, uma interação aprofundada permanece intangível. Conclui-se, portanto, que o ensino a distância potencializa a lacuna existente entre educador e educando, além de amplificar o desinteresse do aprendiz, já que os docentes não inovam.
Logo, medidas são vitais à dissolução dos desafios enfrentados pelos professores em tempos de quarentena. A princípio, é imperioso que os centros de ensino promovam oficinas virtuais, mediante a disponibilização de material instrucional e orientação realizada por especialistas do setor tecnológico, a fim de que ocorra a adaptação dos educadores às novas ferramentas de ensino. Ademais, o Estado, por meio da realização de cursos profissionalizantes periódicos e disponíveis nas plataformas digitais, deve qualificar a metodologia educativa, para que haja maior envolvimento do estudante. Assim, o ideal de evolução proposto por Edison será, finalmente, atingido no Brasil hodierno.