Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 11/11/2020
Sintomas da quarentena na educação
Em dizeres, Augusto Cury afirma: “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência”. Em tempos de pandemia, tal situação adquiriu um novo contexto e significado. Passou a representar o jogo de cintura dos profissionais da educação, frente a um ensino à distância para todas as idades, em garantir o ensino e obter o aprendizado. Entretanto, esses objetivos esbarram em diversas dificuldades, como a ausência de infraestrutura dos lares e a falta da garantia de interação e rotina de produção pelos alunos. Dessa forma, o cultivo da educação passou por intensas transformações e os resultados colhidos ainda exigem preocupação.
Em primeiro lugar, o ensino à distância acentuou a desigualdade social, uma vez que 29% dos domicílios não possuem acesso à internet no Brasil, como demonstram dados divulgados pelo Comitê Gestor da Internet (CGI). Por tal fato, a educação transmitida pela rede choca-se com a falta de estrutura residencial, gerando um ensino, por vezes, excludente.
Além disso, a falta do contato pessoal entre professores e alunos torna dificultosa a interação destes com as aulas, provocando um desestímulo em assistí-las e danificando a construção de uma rotina de produção. Em levantamento feito pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, 85% dos educadores do estado de São Paulo acreditam que os alunos estão aprendendo menos ou muito menos no período de pandemia. Também por isso, ao ensino à distância adiciona-se um critério de desqualificação.
Em suma, Bauman, filósofo contemporâneo, afirmava que “Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas.”. Dessa forma, é necessário, por parte do Ministério da Educação, a organização de palestras e cursos que promovam a instrução dos professores em períodos de ensino à distância, bem como a abertura de centros de acesso à rede e a computadores, respeitando critérios de segurança e higienização, para ampliação do acompanhamento ao ensino àqueles que não possuem meios de acessá-lo e, assim, gerar o aumento da qualidade educacional no país em tempos de pandemia.