Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 09/11/2020
Em sua obra “A Era da Informação”, para o sociólogo espanhol Manuel Castells, as tecnologias de informação e comunicação, sobretudo quando se estabelecem pelo uso da internet, tornam-se cada vez mais determinantes nas relações interpessoais. Paralelamente, ao equipar com o contexto brasileiro hodierno, nota-se a aproximação do pensamento de Castells no que tange os desafios dos professores em tempo de quarentena. Nesse viés, é fundamental destacar que as relações dos professores com a educação online são tratadas de forma precária em razão dos escassos investimentos, além do despreparo do corpo docente.
A princípio, ao averiguar a conjuntura supracitada, depreende-se que os escassos investimentos corroboram sua ampliação. Diante disso, o economista britânico Arthur Lewis defende que a educação sempre foi um investimento com retorno garantido. Contudo, é essencial constatar que as palavras de Lewis se esvaem quando comparadas com o incentivo e infraestrutura na Educação a Distância (EaD), isto é, apesar de o direito a educação ser assegurado na Constituição Federal, o mesmo é depreciado em razão da precariedade do Estado frente o incentivo a didática digital. Consequentemente, a continuidade dessa postura de inércia fomenta o aumento no índice de evasão escolar e de dispensa dos educadores.
Outrossim, é de suma relevância evidenciar o despreparo do corpo docente como propulsor da condição aludida. Nessa perspectiva, com o início da Terceira Revolução Industrial no século XX e a crescente globalização, a internet tornou-se um dos principais meios de comunicação. Todavia, é pertinente notar que os professores ficaram à margem desse processo informacional, visto que há falta de habilidade com o uso de programas educativos. Por conseguinte, fomenta que 30% dos pedagogos sintam-se receosos quanto sua capacidade de lecionar online, de acordo com pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), de modo a figurar sequelas psicológicas nesses cidadãos, como ansiedade e depressão.
Portanto, intervenções capazes de atenuar as contrariedades dos professores na quarentena são indispensáveis. À vista disso, as ONGs, aliadas a mídia digital, devem realizar campanhas de mobilização da sociedade, através de petições civis que cobrem do Estado uma postura coerente e de investimentos no setor educacional, a fim de mitigar a carência estrutural. Ademais, o Tribunal de Contas da União necessita direcionar verbas para as escolas executarem, efetivamente, cursos de aprendizagem das ferramentas digitais para os pedagogos, com profissionais capacitados, com efeito de reverter o atual quadro do Brasil.