Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 24/11/2020
Conforme o pedagogo brasileiro Paulo Freire, a educação deve ser libertadora, despertar consciência, relacionar diferentes áreas do conhecimento, promover o senso crítico dos alunos, porém, a pandemia do covid-19, no Brasil, trouxe novos desafios aos professores, os “arquitetos” da aprendizagem, para a implementação dessa ideia. Logo, diante das incertezas geradas pelo momento, serem apresentados e dominarem novos métodos e tecnologias e sustentar o cooperação entre escola e famílias são dificuldades que se destacam.
De início, de acordo com estudo do programa USP Cidades Globais, 30% dos educadores se sentiram afetados de alguma forma pela pandemia além de 48,1% alegarem sentimentos de ansiedade, incerteza e angústia, que revelam como a distância das salas de aula, dos alunos, dos materiais convencionais de ensino os impactam. É compreensível, portanto, as dificuldades dos professores de se adaptarem à um ambiente absolutamente diferente, pois exige proficiência tecnológica e metodologias para manter a dinâmica e interesse dos estudantes.
Ademais, os docentes tentam firmar uma relação com as famílias com o intuito de mediar o ensino cooperativamente e promover o engajamento dos alunos. No entanto, a falta de infraestrutura e o domínio ou acesso precário aos meios tecnológicos em alguns lares são os principais empecilhos comentados pelos professores, segundo Edson Grandisoli, do Instituto de Estudos Avançados da USP. Nesse contexto, os educadores procuram evitar a construção de uma educação excludente, principalmente na realidade das escolas públicas, que vai de encontro com o direito à educação instituído pela Constituição Federal de 1988.
Logo, diante dos desafios dos professores em tempos de quarentena, é necessário que os centros de ensino, como as escolas e faculdades, auxiliem seus profissionais quanto a adaptação às tecnologias, por meio de uma assistência “online” direcionada para instruir no uso dos novos recursos, com propósito de amenizar a sobrecarga dos docentes, principalmente os que não são familiarizados com essas plataformas. Além disso, é imperativo que os governos dos estados incentivem a propagação de materiais, como atividades e apostilas impressas, pelas escolas, por intermédio financeiro e sanitário, para suprimir parte das dificuldades presentes no engajamento entre família e educadores que restringem uma educação libertadora.